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PRETO NO BRANCO

QUEM SEMEIA VENTOS SÓ PODE COLHER TEMPESTADES, NÃO É MESMO ATLÉTICO?

Max Pereira
Max Pereira
Publicado em 31 out 2026 · 6 min de leitura

Sem pernas e sem cabeças, o futuro do Galo nesta reta final de temporada é incerto, e o caminho a ser percorrido daqui para frente é bastante complexo.

Vendo o Atlético jogar me é impossível não lembrar de uma lei básica da Física e da vida: CAUSA e EFEITO. Os antigos sintetizavam esta lei com uma frase que corria de boca em boca: AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA.

As nossas escolhas e as nossas atitudes, os nossos erros e os nossos acertos, as nossas decisões e as nossas omissões, as nossas ações e as nossas reações, geram necessária e inevitavelmente consequências que podem ser positivas ou não, boas ou não, interessantes ou não.

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O futebol dos tempos atuais, hoje um negócio sistêmico, complexo e multibilionário, é cada vez mais intenso, físico, mental e tático e, em consequência, cada vez menos plástico, lúdico, técnico e catártico como nos tempos dourados de Pelé e Garrincha.

O futebol atual exige cada vez mais dos clubes expertise, estrutura organizacional, planejamento, gestão de grupo ou de vestiário como queiram, investimento, jogo de bastidores afinado e politicamente forte e efetivo, blindagem e cuidados especiais com os atletas.

Se um clube falhar em qualquer um desses elementos certamente terá sido malsucedido em outros, terá sérios problemas pela frente e viverá uma temporada irregular e com enredo dramático.

É o que vem acontecendo com o Atlético desde que conquistou a Supercopa Brasileira no início de 2022, com destaque negativo para o ano de 2024, história que parece se repetir nesta temporada.

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Em 2024 o Atlético chegou às finais da Copa Libertadores e da Copa do Brasil se arrastando, mental e emocionalmente arrasado. Mesmo com um jogador a mais desde o primeiro minuto do primeiro tempo o Galo, absolutamente passivo, foi amplamente dominado pelo Botafogo, perdeu de três e poderia até ter sofrido um revés maior.

A final da Copa do Brasil, na época disputada em dois jogos, não foi diferente. Perdeu os dois confrontos para o Flamengo que só não aplicou duas goleadas graças a duas gigantescas atuações do goleiro Everson e viu o rival rubro-negro dar a vó,tá olímpica em sua casa, sagrando-se o primeiro campeão na Arena MRV.

E, após estes dois fiascos, o Atlético ainda viveu um drama draconiano para o seu torcedor: disputou a última rodada do Brasileirão com chances matemáticas de rebaixamento. Uma magra e dramática vitória de 1 x 0 em seus domínios evitou a tragédia.

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Esse roteiro cruel, à exceção da briga contra o descenso para a Série B, que neste ano já foi milagrosamente afastada, se desenha claramente neste 2026. Tenho me perguntado com que cabeças e com que pernas o Galo atravessará a reta final desta temporada.

A bola não perdoa, a bola pune. AQUI SE FAZ E AQUI SE PAGA. causa e efeito. Sem planejamento e sem um trato diligente e qualificado do futebol, o Atlético padece em razão de seus pecados.

Ao não montar o seu elenco de maneira a eliminar desequilíbrios, seja em relação às características fisico-atléticas e tático-funcionais de seus atletas, seja em relação ao perfil personalístico de seus jogadores, ao não prover o clube de uma gestão de grupo/vestiário eficiente em boa parte da temporada, ao não cumprir compromissos, ao negligenciar o jogo dos bastidores, o Atlético não só evidenciou a inexistência de uma estrutura organizacional minimamente proficiente e uma péssima gestão do seu futebol, como também pode ter comprometido definitivamente seus resultados em relação a títulos nesta temporada.

Não, não está totalmente nada perdido, claro. Mas, está se tornando cada vez mais difícil e complicado. O nível de exaustão física e mental dos jogadores atleticanos é cada vez mais intenso e preocupante. E Barba tem sinalizado isso a cada entrevista coletiva que concede.

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Conforme Eduardo Domingues sinalizou, os atletas alvinegros estão sofrendo intensamente, o que o que arrebenta o mental e o emocional dos atletas, acabando por comprometer de vez os desempenhos físicos e técnicos de cada um e tático e coletivo do grupo atleticano, independentemente do 11 que for a campo e daqueles que forem acionados durante os jogos.

Somos diferentes. Cada um de nós é único no cosmos. Não existe um outro eu, um outro você, um outro ele. E viva a diversidade. Com o grupo atleticano não é diferente. Por isso, tanto se ressentem dos problemas, como apresentam em campo rendimentos variados.

Aprender a sofrer é fundamental na vida de todos nós, visto que os maus momentos, as oscilações, os erros e as quedas são inevitáveis. Mas, as coisas estão chegando a um nível avassalador e insuportável para os atletas que eu arriscaria a dizer que o que vier de positivo daqui prá frente é lucro.

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Menos mal que o fantasma do rebaixamento já foi exorcizado. Diante deste cenário, o comando central alvinegro tem duas missões simultâneas de transcendental importância para o clube.

A primeira, é perceber que, em relação a esta reta final de temporada e, particularmente, em relação aos títulos em disputa nas Copas Sul-americana e do Brasil, o alerta vermelho está ligado e o quão isto é grave, exigindo trabalho e cuidados.

E, a partir daí, trabalhar com sabedoria e eficiência o moral, o mental e o emocional do grupo, administrando e minimizando no que ainda for possível, o desgaste físico decorrente deste cenário hostil.

É tarefa fácil? Não. Mas, necessária e essencial para manter vivos os sonhos de algum título nesta temporada, Sul-americana e/ou Copa do Brasil ou, quem sabe, de uma bem difícil vaga na Libertadores 2027 no Brasileirão.

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A segunda e, certamente a mais importante para o clube, é que aprendam com toda esta turbulência para que na próxima temporada e seguintes não mais se repitam os erros de gestão do futebol, de planejamento de elenco e de trato pusilânime do jogo do bastidores que têm se refletido de forma tão negativa na vida do Atlético.

Enfim, que o alto comando atleticano entenda que deve estartar o planejamento da próxima temporada, repensando e corrigindo seus métodos e conceitos de gestão e, assim, cuidando para não repisar os erros e as omissões que tanto vêm comprometendo os resultados esportivos do clube, corroendo o rendimento dos jogadores e provocando prejuízos financeiros e desacertos administrativos nas últimas temporadas.

Quem semeia ventos só pode colher tempestades, não é mesmo Atlético?

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