Não sem razão o jogo entre Atlético e Flamengo se tornou o clássico interestadual de maior rivalidade e o mais rico de polêmicas da história do futebol brasileiro.
O Galo já faturou uma Supercopa brasileira em cima de seu mais tradicional rival nacional, já comemorou a maior goleada neste clássico, 6 x 1, já festejou uma virada histórica na Copa do Brasil de 2014 com uma goleada por 4 x 1 e já fez sua torcida gargalhar com três vitórias emblemáticas no Maracanã por 3 x 0 com atuações antológicas de Lola e das duplas Castillo e Renan Oliveira e Hulk e Paulinho.
O Atlético já também aplicou duas outras goleadas por 4 x 1 e por 4 x 0, com direito à lei do ex aplicada por Obina e um gol antológico de Dátolo.
Em compensação, em 2024 o Flamengo foi o primeiro clube a sagrar-se campeão na Arena MRV ao conquistar a Copa do Brasil daquela temporada, batendo um Atlético sem pernas e sem cabeças, que se arrastava em campo em razão de um avassalador desgaste.
O Galo também já viu e enfrentou Pelé com a camisa do Flamengo no Maracanã em uma partida beneficente na qual o ponta esquerda do time carioca Júlio César fez o maior jogo de sua carreira e o Urubu venceu por 5 x 1.
Mas, os confrontos entre o Alvinegro das Gerais e o Rubro-negro carioca mais ricos em querelas doídas para a Massa atleticana.. foram aqueles que decidiram um título nacional em 1980 e uma classificação na Libertadores em 1981.
E foram exatamente essas decisões contra o Flamengo que vieram à minha mente ao assistir a este Urubu 3 x 2 Galo, um jogo que deixou muitas lições, doloridas é verdade, mas certamente importantes e necessárias, vez que o de mais importante neste final de temporada para o Atlético ainda está por vir.
A primeira lição, recorrente e presente em todos o jogos do Atlético, estava, como sempre, estampada na escalação e nos inescondíveis desequilíbrios do grupo atleticano, frutos de um planejamento de elenco caquético.
O sabido e ressabido desgaste físico e mental do grupo atleticano impõe ao treinador alvinegro rodar o time, poupando e preservando de acordo com a necessidade e driblando as assimetrias e as deficiências do elenco alvinegro.
E essa tarefa está se mostrando mais complexa e delicada jogo após jogo. Contra o Flamengo, por exemplo, o Galo iniciou a partida sem nenhum atacante raiz no time titular. “Ah! Mas, e o Bernard?” Bernard, hoje em grande forma, é meia-atacante.
A segunda lição decorre de falha de Gabriel Delfim no primeiro gol rubro-negro. Por mais incrível e absurdo que possa parecer a muitos, foi uma falha natural, normal e esperada. Mais cedo ou mais tarde ele iria falhar. Faz parte da vida, da carreira e do processo de formação de qualquer atleta.
Viver não é fácil para ninguém. O aprendizado muitas vezes é dolorido. E o erro, além de inerente à humanidade, é essencial à evolução e ao amadurecimento de qualquer ser humano, independentemente de quem seja, de seu sexo e de sua orientação sexual, de sua profissão, de sua religião, de sua origem e cor de pele, de seu nível cultural e social.
O esporte e o futebol em particular, cada vez mais intensos, físicos e mentais, inevitavelmente geram, por vezes, muito sofrimento. Não à toa, Eduardo Domingues, o Barba, já disse em uma de suas coletivas que “os nossos jogadores precisam aprender a sofrer.
Delfim que já mostrou se imenso potencial e que mesmo de pois de falhar fez defesas importantes, deve sentir-se abraçado e se muito acarinhado. Só isso. Xinga-lo e abraçá-lo é de um a irracionalidade abismal.
A terceira e última lição, também frequente e rotineira na vida do Atlético advém dos resultados negativos e até de perdas de vários títulos em razão de uma imensa lista de erros, intencionais ou não, das arbitragens de campo e, mais recentemente, de revisões inexplicáveis ou omissões estranhas e nebulosas do VAR.
“AH! Mas o Flamengo jogou melhor, criou e finalizou mais que o Atlético, impôs na maior parte do confronto um jogo de linha contra defesa e, portanto, sua vitória foi mais que justa”.
Assinaria embaixo tranquilamente se tivessem sido os jogadores rubro-negros que tivessem eles próprios construído com o seu futebol a vitória do Urubu. Mas, o triunfo do Flamengo só acabou acontecendo graças a uma interferência grotesca e absurda do árbitro central a o marcar um pênalti absolutamente inexistente
E o VAR? Se não se omitiu não revisando como devia, se silenciou escandalosamente em relação à clara e inescondível invasão na grande área alvinegra de um atleta rubro-negro antes que o pênalti fosse batido.
Tudo isso reflete as históricas fragilidade e desimportância do Atlético no jogo dos bastidores. O Atlético enfrentava o clube mais poderoso política e financeiramente do futebol brasileiro que não disputava apenas a liderança do campeonato, mas também, e principalmente, é um dos dois candidatos ao título nesta temporada.
O Galo pagou mais uma vez o preço amargo que futebol brasileiro lhe impõe há décadas. Até quando? Ninguém sabe.
E como fazer para que tudo isso não se reflita negativamente no rendimento do time daqui prá frente e, em especial, nos dois próximos jogos, o primeiro contra rival azul na próxima quinta-feira em casa, e o segundo contra o Grêmio em Porto Alegre, da do início à esperada semi-final de Copa do Brasil?
Esse é o grande desafio do Barba, de sua comissão técnica e do diretor técnico Guilherme Alves.

