O Atlético partiu rumo a Montevidéu com um pé na final da Sul-americana, graças à expressiva vantagem que conquistou em casa no jogo de ida. Afinal, 3 x 0 não é um placar fácil de se reverter. Mas, porém, contudo, todavia, …
Uma das primeiras coisas que aprendi sobre o futebol é que não se ganha jogo antes da hora. Ou melhor, que não se ganha jogo de salto alto, desprezando o adversário seja ele quem for e, tampouco, se sentando em sua superioridade ou, em caso de mata-mata, no placar e na vantagem conquistada no jogo anterior.
O próprio Atlético já viveu uma experiência amarga na extinta Copa Conmebol. Depois de derrotar o Rosário Central no jogo de ida da final por um elástico 4 x 0, o Galo também caiu de 4 no jogo de volta na Argentina e viu o time portenho sagrar-se campeão na disputa de pênaltis.
Uma dolorosa e triste experiência. E, ainda que as condições objetivas que permearam e deram o tom daquela decisão sejam muito diferentes das atuais, todo o cuidado é ainda muito pouco.
Naquela final que machuca o atleticano até hoje, o extra-campo foi absolutamente decisivo. Um ambiente absolutamente hostil e violento “acolheu” os atleticanos. Uma dura e dolorida lição.
Já escrevi e falei um sem número de vezes que no futebol dos dias atuais não se ganham jogos e, muito menos títulos, apenas dentro de campo. Há que se ganha-los fora das quatro linhas e o jogo dos bastidores começa muito antes da bola rolar.
Embora o Atlético ainda deixe muito a desejar no jogo dos bastidores, o que várias arbitragens e diversas revisões e não revisões do VAR deixam mais do que claro, dentro de campo o time tem dado mostras de um amadurecimento coletivo, tático, mental e emocional bastante positivo e interessante.
Barba, no comando técnico da equipe alvinegra, e Guilherme Alves, como diretor tecnico, têm feito um trabalho excepcional, revitalizando o vestiário.
Mas, alem dos ataques costumeiramente desferidos pelos inimigos de sempre e das armadilhas dos adversários, jogam contra o Galo o problemas internos do clube e, no momento atual, particularmente o grande desgaste físico e mental do elenco atleticano.
Vantagem à parte, desenha-se uma grande batalha no Centenário.
O Atlético deve e vai jogar contra o Torque em Montevidéu com o que tem de melhor, sabendo que, independentemente do resultado e da classificação para a final, no meio do caminho atleticano nesta reta final de temporada só existirão pedras e espinhos.
O Atlético terá pela frente uma jornada pesadíssima e algumas arapucas a superar. Ao final deste mês de outubro, por exemplo, o Galo já enfrentará uma semana extremamente cansativa e desgastante com jogos densos e muito pesados de três em três dias, intercalados com viagens.
No dia 26, uma segunda-feira, o Atlético enfrentará o Flamengo no Maracanã. Três dias depois, na quinta-feira, dia 29, pegará o rival azul na Arena MRV e, por fim, no domingo, dia 1.o de outubro, o duelo é contra o Grêmio em Porto Alegre pela partida de ida na semi-final da Copa do Brasil.
Essa sequência “suave” de jogos seria apenas uma mera coincidência? Ou um simples acaso? Azar? Afinal, se não for sofrido não é Atlético, não é mesmo? Ironia à parte, entendo que é apenas mais um caminho indigesto na vida de um clube que historicamente falhou na defesa de seus interesses o jogo do bastidores.
Como Barba já mostrou que sabe enfrentar e superar desafios, tenho confiança em sua capacidade de ver e driblar as armadilhas que o rival uruguaio certamente está armando e aquelas outras que este calendário insano e perverso impõe a todos o clubes brasileiros e, e especial, sempre arrebenta com o Galo.
Thiago Borbas engrossa a legião de lesionados, mas Barba já mostrou que tem café no bule, i.e., recursos e soluções.
Rumo à Monevidéu e à final. Mas, sempre de olhos e ouvidos bem abertos.

