Cá estamos, mais uma vez!
Quem diria que, depois de um início de ano tão turbulento, estaríamos falando de um Galo vivo em três competições e com chances reais de levantar uma taça? E como é boa essa reta final de temporada, hein? Melhor ainda quando o Galo chega em condições de brigar por coisas grandes. Diferentemente dos últimos anos, o Colossal das Alterosas parece ter reencontrado algo que andava fazendo falta: competitividade, confiança e, principalmente, identidade.
Vivo na Sul-Americana, vivo na Copa do Brasil e na briga pelas primeiras posições do Brasileirão. O Atlético voltou a mostrar aquilo que a Massa sempre cobrou: um time com alma, um time com a cara do Galo. Como diz o nosso hino: “Lutar, lutar, lutar… com toda nossa raça pra vencer”.
Mas quero ir um pouco além das quatro linhas…
Afinal, o que mudou no Atlético de Eduardo Domínguez? Onde aconteceu a virada de chave? O que fez aquele time tão questionado no início do ano se transformar em uma equipe capaz de competir em diferentes frentes? É claro que os reforços qualificaram o elenco.
Fred, craque de bola, atleticano e conhecedor do peso dessa camisa. Kevin Castaño, um volante moderno, com leitura de jogo e qualidade para organizar o meio-campo. Thiago Borbas, que chegou mostrando disposição e fazendo seus gols. São jogadores que ofereceram novas alternativas ao Barba.
Mas existe outra contratação que, na minha visão, merece tanto destaque quanto aquelas que vemos dentro de campo. E olha que essa chegou cercada de desconfiança.
Um velho conhecido da Massa. Irreverente, polêmico e dono de uma história que divide opiniões. Para alguns, um ídolo. Para outros, alguém que jamais deveria ter vestido a camisa do maior rival.
Guilherme Alves!
Quem viveu o Atlético do início dos anos 2000 sabe bem do que estou falando. Guilherme GGG, para quem tiver a minha idade. Artilheiro, protagonista de grandes momentos e também de uma traição que deixou marcas na relação com parte da torcida.
Pois bem. O futebol tem dessas coisas. Guilherme voltou. Dessa vez, como diretor técnico.

Chegou de mansinho, como um bom mineiro. Conhecendo a casa e sabendo, como poucos, o peso que existe em vestir o preto e branco. E, ao que tudo indica, tem feito um trabalho importante nos bastidores. A relação com os jogadores, a proximidade com o elenco e o conhecimento do ambiente atleticano parecem ter contribuído para uma mudança que hoje também percebemos dentro de campo.
O clima é outro. O time parece mais leve, mais confiante e, acima de tudo, consciente daquilo que precisa fazer. É evidente que os méritos não são exclusivos de Guilherme.
Eduardo Domínguez merece enorme reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, especialmente pelos ajustes realizados durante a pausa para a Copa do Mundo. A diretoria também merece crédito por sustentar o projeto quando os resultados ainda provocavam dúvidas.
Mas convenhamos: em um futebol cada vez mais dominado pela grana, contratações badaladas e planilhas de Excel, é louco pensar que uma das peças mais importantes dessa transformação pode ser justamente alguém que não entra em campo. Alguém que conhece o clube, entende o ambiente e sabe o que significa ser Galo.
E talvez esteja aí uma das grandes lições desta temporada.
Nem tudo se resolve com dinheiro. Nem toda mudança precisa acontecer no esquema tático. Às vezes, o que falta é justamente alguém capaz de compreender o que acontece fora das quatro linhas. É claro que ainda não ganhamos nada. O futebol é imediatista, os resultados mudam opiniões e nem sempre existe justiça no futebol. Uma eliminação pode transformar elogios em cobranças da noite para o dia.
Mas faço questão de frisar: independentemente do que acontecer nas Copas ou no Brasileirão, precisamos reconhecer o trabalho que vem sendo construído. Acreditar no projeto não significa fechar os olhos para os erros. Significa entender que continuidade, planejamento e confiança também fazem parte do caminho.
E, nesse aspecto, Guilherme, Barba e seus comandados parecem ter encontrado algo que o Atlético procurava há algum tempo. Um time que luta. Que compete. Que se recusa a morrer. Um time com a cara do Galo!
Espero, de coração, que a gente cope as Copas. Que venha uma taça, quem sabe duas. Mas, acima de tudo, que esse espírito não se perca pelo caminho. No mais, nos vemos por aí. E, se Deus quiser, comemorando um título ou quem sabe dois…
Viva o Colossal, Entre Linhas e Listras!

