Uma vitória autoritária e que colocou o Atletico com um pé na final da Sul0-americana. Um jogo que, ao mesmo tempo em que alegrou horrores o mundo atleticano, encantou a gregos e troianos e deixou os inimigos bastante incomodados, escancarou para quem ainda duvidava e para o alto comando alvinegro que todo o cuidado ainda é muito pouco.
Um 3 x 0 autoexplicativo, construído com uma atuação impositiva, coletivamente intensa e pontuada por desempenhos individuais bastante interessantes.
Um jogo que definitivamente mostrou para o torcedor alvinegro e para qualquer amante do esporte que acompanha minimamente o Galo, a qualidade e a eficiência dos trabalhos do Barba e do Guilherme Alves.
Este futebol coletivo, intenso e impositivo, associado a este não se entregar, lutar e acreditar até o final, e ancorado no resgate da autoconfiança, da autoestima e do prazer de estar e de jogar junto, não surgiu do acaso. É produto de um trato do vestiário bastante exitoso.
Não canso de dizer e vale muito a pena repetir que quem viu o time atleticano há bem pouco tempo e o vê hoje, mal pode acreditar em seus olhos.
Hora de criticar, criticar. Hora de elogiar, elogiar. Este mesmo comando central que usou e abusou no direito de errar e em fazer um mal trato do futebol do clube, com graves pecados no planejamento do elenco, merece todos o aplausos pelas contratações de Eduardo Domingues e de Guilherme Alves.
Além do bom e vigoroso futebol coletivo, a recuperação do futebol de alguns jogadores como Bernard, nota mil n o jogo, Reinier, Borbas, Alexander, Vitor Hugo (zagueiro), e o extremamente feliz aproveitamento de garotos egressos de base como Delfim, Vitão, Pascini e Cissé, merecem destaque.
Igor Gomes entraria nesta lista se nao fosse uma lesão que lhe roubou o ritmo de jogo e o pique para enfrentar algumas improvisações. Ainda assim, não comprometeu.
Franco, jogando para o time, Castanho, Maycon, Lyanco, Lodi e Cuello com momentos brilhantes, afinaram a orquestra do Barba.
Os três gols atleticanos foram um refresco para qualquer amante do esporte bretão. E, claro, razão de euforia e felicidade para cada galista apaixonado.
O que se viu de arte, de talento, de espírito de equipe e de coletivo no gol de Reinier, o primeiro que valeu, viu-se de determinação, vontade, entrega e de acreditar sempre, nos gols de Bernard e de Borbas.
De Franco que não desistiu e não deixou a bola sair, passando por Cuello dando um banho de cuia espetacular em seu marcador e pelo altruísta e nada fominha Victor Hugo, até a finalização perfeita e tranquila de Reinier, se desenhou uma pintura de gol.
Minutos depois, o determinado e confiante homem da alegria nas pernas arrancou, quebrou a última linha da defesa uruguaia e marcou um golaço.
Por fim, Cissé, não se entregando, se esticou todo e já quase sem força na sua perna esquerda, corrigiu o que seria uma bola perdida e serviu a Lodi.
O melhor lateral esquerdo em atividade no futebol brasileiro dispara em direção à linha de fundo, faz um cruzamento de curva notável e encontra o centroavante raiz Borbas que , mortal e contuso, estufa as redes do Torque.
Paralelamente a tudo isso, dois fatos incomodaram e se constituíram em um alerta que não pode ser desprezado pelos homens do clube, dirigentes e funcionários.
Primeiro, o indisfarçável desgaste físico e mental. Barba, que tem o grupo na mão, foi fazendo alterações revitalizando e reenergizando o time durante o segundo tempo.
Um lance em especial não deixou nenhuma dúvida do quão isto é preocupante e do quão é importante administrar. Cuello deu um pique na segunda metade da etapa complementar e “morreu”. Sequer conseguiu andar em campo.
Segundo, a péssima arbitragem, pontuada por marcações e omissões no mínimo estranhas, irritantes e bastante preocupantes.
Um estilo de arbitragem que me pareceu tendencioso e perigoso, tal o número de faltas a favor do Galo não marcadas. E a distribuição de cartões amarelos também não foi equânime.
O Atlético está de fato a um passo da final da Sul-americana. Mas, diante deste cenário todo cuidado ainda é pouco. E, por isso, é fundamental que clube mantenha simultaneamente um olho no peixe e outro no gato.
Ou seja, um olho na classificação à final e na disputa do título e outro nos efeitos nocivos do enorme desgaste que se abateu sobre os jogadores e, também, no não confiável jogo dos bastidores, no qual o Atlético é historicamente omisso e nulo.
Como já venho defendendo há tempos e não custa repetir, que cada um, dirigentes, funcionários, comissão técnica, jogadores e torcedores, façam o seu papel, ajudando o Barba e o Guilherme.
E o Atlético só terá a ganhar. Esses 3 x 0 deliciosos foram apenas o primeiro passo em relação a mai um título internacional na história do clube.
Vamos dar os outros, juntos e misturados, como só os atleticanos sabem fazer.

