A eliminação do Atlético na Copa do Brasil não aconteceu nesse jogo de volta na Arena MRV e, tampouco, na partida de ida em Porto Alegre. Ela já estava desenhada desde muito tempo.
Ah! E não adianta perder tempo em falar da arbitragem, canhestra e facciosa por sinal. Que o diga Bernard, o retrato vivo do desespero e de indignação.
O Galo até que foi bem longe. Já disse e escrevi mais de uma vez que, antes de Copa do Mundo, cheguei a acreditar que o Atlético era candidato certo ao rebaixamento para série B e que não teria futuro algum nas Copas Sul-americana e do Brasil, tal era o nível de decomposição moral, mental e emocional do seu elenco e gigantesco era o combo de problemas que assolavam e ainda continuam sacudindo o clube.
Cada vez mais sem pernas, sem cabeças, sem energia e sem inspiração o Atlético vinha escrevendo ele próprio o seu epitáfio.
Certa vez me perguntaram quem, na minha opinião, era o maior adversário do Atlético de todos os tempos. E, para a surpresa do meu interlocutor, respondi que era o próprio Atlético, respeitando, claro, os méritos de todos os outros.
E emendei dizendo que se um dia o Atlético conseguir derrotar a si mesmo, ele partirá para ganhar o mundo. Muito se fala em meritocracia. E, muitas vezes, equivocadamente a atribuem a condições ou a valores que não a justificam e nem a sustentam.
Mérito e direitos são coisas diferentes. Os segundos não diferenciam as pessoas. São de todos. O mérito, por sua vez, é algo que se constrói no dia a dia a partir de ações, de decisões, de atitudes ou de escolhas que se revelam acertadas e proficientes.
Os pecados atleticanos em relação ao trato do futebol, i.e., em relação ao péssimo planejamento de elenco, à muito ruim gestão de vestiário, à ineficiência crônica e corrosiva no jogo dos bastidores, ao descumprimento de compromissos, ao apego excessivo ao cumprimento de metas de venda de jogadores, ao não investir com expertise e ao acúmulo de um endividamento sufocante, constituíram e constituem ainda um conjunto de problemas que, além de inevitavelmente comprometer os desempenhos do time em campo, tenderiam a inviabilizar sonhos de grandes conquistas.
Falo, claro, de erros que não aconteceram tão somente nesta temporada, mas que vêm se repetindo e se acumulando ano após ano. Não à toa o Galo viveu um jejum de 50 anos entre os títulos de campeão brasileiro de 1971 e 2021, este último um ano mágico graças a fatores fortuitos que se conjugaram a favor do clube, ou seja, nada que fosse consequência de um planejamento bem estruturado.
“Ah! Mas, Fulano é muito fraco, Beltrano nem deveria ter sido contratado e Ciclano já deveria ter ido embora”. “Ih! Esse Barba é muito ruim”. “”Barba retranqueiro, some do meu Atlético!”. “Prá que poupar? Tem que entrar sempre com o melhor”. “Enquanto esse Barba escalar Fulano, Beltrano e Ciclano não vejo mais os jogos e nem torço mais para o Galo”.
Essas e outras reações atleticanas típicas, construídas sempre no emocional exacerbado, próprio daquele Galista terrivelmente apaixonado e irreflexivo, nunca constróem cobranças construtivas, vez que, desfocadas da realidade objetiva, navegam sempre no passional e no irrefletido.
“Eh! Atlético. Até Deus está contra você. Olha a tempestade que está desabando sobre BH!”. “Eh! Atlético. Os céus estão chorando por vc ou o estão punindo por tanto futebol ruim?”.
Assim como a natureza que, por meio dessa crise climática impiedosa, está cobrando do homem por tantos maus tratos com ela, a bola que não perdoa também está punindo o Atlético por cuidar tão mal de seu futebol.
A resposta do volante colombiano Kevin Castaño a uma crítica, segundo ele açodada e sem base na verdade, de um jornalista mineiro, postada no X, antigo Twitter, é mais um recado/alerta contundente sobre este momento tortuoso que o clube está vivendo. Abaixo, transcrevo parte de postagem de Castaño que copilei no Portal NO ATAQUE. Veja:
“É uma pena pelo resultado. Sabemos o quanto queríamos essa vitória e o quanto ela significava para todos nós. Mas não é fácil tudo o que esse grupo vem enfrentando e construindo. Lutamos por tudo, passamos por momentos difíceis e nunca deixamos de acreditar. Temos um grupo extraordinário, de grandes profissionais e pessoas que dão tudo por essa camisa”, pontuou Kevin.
“Ao senhor, como jornalista, peço mais respeito e responsabilidade com aquilo que publica. Existe uma diferença enorme entre informar e tentar criar uma polêmica que não existe. Antes de colocar em dúvida o respeito entre companheiros e alimentar uma situação que não aconteceu, procure saber a verdade. Não use a frustração de um jogador que quer vencer para criar divisões dentro de um grupo que trabalha e luta todos os dias pelo mesmo objetivo”, completou.
“Daqui a 15 dias temos uma final e é justamente agora que mais precisamos estar juntos. À nossa torcida, peço que continue acreditando em nós. Sabemos o tamanho desse clube, a força dessa camisa e o quanto vocês merecem ser felizes (…). Este não é o momento de dividir, é o momento de unir. Enquanto houver uma oportunidade, vamos lutar por ela. Juntos somos mais fortes! AQUI É GALO!”, finalizou.
O alerta vermelho já está ligado faz tempo. O Galo ainda tem uma única chance de título nesta temporada e, em consequência, de cravar uma vaga na Libertadores do próximo ano.
É uma missão difícil? Sim, muito complicada graças a esta irrefreável decomposição física, moral e mental do grupo atleticano.
E a chance desse sonho se materializar depende unicamente do atleticano entender que o momento é de união como o Kevin Castanho nos alertou. Qualquer desvio de foco é fatal.
Aqui se faz e aqui se paga. Causa e efeito. É a lei da Física e da vida. Por isso, tenho defendido que já passou da hora de cobrar do comando repensar e mudar radicalmente seus métodos e conceitos de gestão do clube e do seu futebol. Que 2027 seja bem diferente. O atleticano já está de saco cheio.

