Toda derrota é doída. Mas, é preciso entender que nenhuma invencibilidade,idade se mantém indefinidamente. Um dia nada dá certo, erros acontecem e a bola pune, não perdoa.
Se é que existiu algo de bom na derrota do Atlético para o São Paulo foi o fato de perder em uma competição que permite recuperação e na qual o Galo não disputa o título. No atual Brasileirão o Atlético só tem uma missão: manter-se em uma posição confortável, afastando qualquer risco de rebaixamento.
E quem é que falou que eu não quero ou não acho importante o Galo ser campeão. Eu apenas quero dizer que a Copa do Brasil é a Sul-americana são hoje o foco principal do Atlético em se tratando da possibilidade de conquistar um título.
Entendo, por outro lado, que o time está em evolução e tem problemas (lesões, desgaste, cobranças cruéis e muito pesadas de torcedores, elenco desequilibrado, muita onda nas redes sociais e na mídia convencional, ataques dos inimigos, nulidade do clube no jogo dos bastidores e uma gestão central que historicamente tem trazido mais dores de cabeça e problemas que resultados positivos.
Mais do que nunca é fundamental compreender que o clube precisa trabalhar jogo a jogo, um jogo de cada vez, blindando o elenco de forma que nem os costumeiros ataques dos inimigos de sempre e. a cobrança insidiosa da torcida atrapalhem o Galo nessa reta final de temporada.
E aqui, dois alertas: primeiro, espero que o comando central que acertou brilhantemente na contratação do Barba Domingues, do Guilhermes Alves e do atual gerente da base, não atrapalhe e dê todo o apoio organizacional, institucional e financeiro que se fizer necessário, entendendo que gasto é uma coisa e investimento é outra bem diferente. Investimento gera retorno.

Segundo, espero que clube esteja cuidando para minimizar com eficiência e com a agilidade necessária os efeitos negativos do imenso desgaste dos jogadores atleticanos, potencializado pelos desequilíbrios do elenco alvinegro.
Aqui um parêntesis: quando falo em elenco desequilibrado não me refiro especificamente à qualidade técnica dos atuais atletas alvinegros. Já disse e escrevi mais uma vez que, para mim, o grupo atleticano não é formado por brucutus.
Entendo tratar-se de um elenco mal planejado. O cuidado com as características fisico-atléticas e tático-funcionais é fundamental. E o Atlético sofre, por exemplo, em razão de inexistir no seu grupo um zagueiro canhoto, um centroavante raiz, um camisa 10 clássico e um volante mordedor, pitbull.
Por isso, quando um jogador substitui outro de características físico-atléticas ou tático-funcionais completamente diferentes, ele normalmente se dá muito mal pois não consegue render e entregar o mesmo que o companheiro.
Ou seja, não é porque ele é ruim, perna de pau ou mau caráter. É simplesmente porque ele não pode, porque está além da sua capacidade físico-atlética ou de seu desempenho tático-funcional. Um fundista não substitui um velocista e vice-versa.
Mas, os problemas do Atlético vão além disso. É que o clube disputa três competições pesadas de características diferentes que exigem, além das viradas de chave jogo após jogo, que os jogadores viajem constantemente em deslocamentos em sua maioria longos e de logística pesada.
Tudo isso gera um enorme desgaste físico, emocional e mental. Poupar, rodar o time e trabalhar o emocional e o mental do grupo é mais que essencial. Mas, como preservar e fazer controle de carga com um elenco desequilibrado e com tantas lesões?
Embora não tenha feito uma partida de todo ruim contra o São Paulo, o Galo mostrou que o grupo está sentindo o peso de sua jornada.
O Atlético entrou em campo uma vez mais muito mexido e com uma formação diferente. 11 (onze) jogadores não foram relacionados.
Dois atletas, recém recuperados de contusões graves, em transição, o meia Índio e o volante Patrick Silva ficaram em BH. Além deles, 8 (oito) jogadores ficaram no DM em tratamento de lesões:
- Everson (goleiro): fratura no pé esquerdo
- Léo Duarte (zagueiro): lesão muscular na coxa direita
- Lyanco (zagueiro): ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo
- Ruan Tressoldi (zagueiro): lesão do músculo posterior da coxa esquerda
- Maycon (volante): fadiga muscular
- Igor Gomes (meio-campista): estiramento do ligamento do pé direito
- Thiago Borbas (atacante): lesão do músculo posterior da coxa direita
- Tomaz Pérez pubalgia ( inflamação na região do púbis)
Não se pode esquecer e nem desprezar que além de serem lesões diferentes, seja em graus, seja em tipologia, os atletas também têm constituição física distintas uns dos outros e, portanto, tempos de recuperação também desiguais.
À medida em que a temporada se afunila a pressão e o desgaste, seja físico, seja mental crescem perigosamente e não custa repetir: TODO O CUIDADO É POUCO.
Diante deste cenário, entendo que resta à torcida continuar jogando junto com o time e abraçando os jogadores, amplificando cada vez mais tudo aquilo que foi feito e vivido na Arena antes, durante e depois da vitória épica e emblemática sobre o rival azul.
Ah! E, além de não esquecer jamais de continuar apoiando os profissionais que atuam diretamente no futebol, acreditar e fazer por onde derrotar os ventos hostis que soprarem pelos lados da Cidade do Galo.

