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PRETO NO BRANCO

DEU GALO NA CABEÇA

Max Pereira
Max Pereira
Publicado em 2 set 2026 · 6 min de leitura

DEU GALO NA CABEÇA! E DE VIRADA É MUITO MAIS GOSTOSO!!!

Por Max Pereira

Foi um jogo que teve de tudo. Sacrifício, residência, superação, entrega, fé e, para fechar com chave de ouro, uma classificação suada conquistada com uma virada épica, catártica e apoteótica de um Galo cujo bico se mostra cada vez mais afiado.

PSempre defendi que no futebol dos tempos atuais não se ganha um jogo apenas dentro de campo. Se fazer bem o jogo dos bastidores é cada vez mais importante e essencial para se conquistar vitórias e títulos, o trabalho intramuros do clube também é fundamental.

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E o Atlético do Barba vem mostrando isso com clareza meridiana. O amadurecimento coletivo, emocional e mental do grupo atleticano e a evolução coletiva e personalística do time atleticano, independentemente do 11 escalado, são nítidos e, confesso, extraordinários e surpreendentes se lembrarmos daquele Atlético “doente” de pouco tempo atrás.

Todo clássico entre rivais tradicionais é sempre precedido daquele disse-me-disse característico. Provocações de lado a lado, uma ansiedade esmagadora e um turbilhão de sentimentos sacodem mentes e corações.

Mas, desta vez existiram ingredientes especiais. Everson joga ou não joga? E Tressold vai a campo ou não? Kaio Jorge vai ser punido ou não?   Esse jogo tem favorito? E, se sim, quem é o favorito?

Se algum tempo antes do primeiro jogo o time azul era tido franco favorito por gregos e troianos, inclusive por vários atleticanos, à medida em que o time atleticano mostrava uma evolução mais que consistente e, principalmente, depois do empate em 1 x 1, o fantasma alvinegro começou a assombrar o mundo azul e a incomodar aqueles que historicamente torcem contra o Galo Forte Vingador.

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Claro que provocação vaidosa e arrogante de muitos cruzeirenses não podia faltar. Afinal, se como gritavam aos quatro ventos que o time de seu coração era muito superior e estava em outro patamar em relação ao Galo raquítico, a vitória azul era para eles favas contadas.

E o dia D chegou. Fora de campo e antes da bola rolar, sob o comando de Tiago Scap, o Atlético preparou uma das mais fantásticas e sinistras ruas de fogo para receber seus jogadores. Dentro da Arena, com mosaico, sinalizadores e fogos, a Massa deu um spoiller lindíssimo de como seria a festa se o Galo confirmasse a classificação.

A alegria e a confiança do atleticano tinham razão de ser. Everson, depois de muito mistério e muito zunzum, ia para o jogo e Tressold estava escalado. Mas, quem é que falou que o Galista não tomaria um susto antes do jogo se iniciar.

Maycon, depois de se aquecer é cortado no vestiário. Natanael vem para o jogo e Franco que atuaria pela lateral direita é deslocado para o meio de campo.

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Ainda que a formação de última hora não fosse inédita, o corte de um companheiro minutos antes do início do jogo pode ser mal absorvido pelos outros jogadores.

A bola rolou, um jogo tenso se desenhou  e um Atlético propositivo buscou se impor. Cabeçada de Tressold na trave e duas chances consecutivas de gol, a primeira com Bernard e a segunda com Fred,, fizeram o atleticano gargalhar.

Mas, clássico é clássico e a bola é traiçoeira. O time da Toca tenta se impor e os atleticanos, sentindo a pressão da decisão, começa a viver momentos de desequilíbrio e se desajusta o suficiente para o rival ganhar moral e se aproveitar da inexperiência de Vitão e do espírito matreiro de Kaio Jorge.

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É compreensível a interpretação do árbitro que o levou a assinalar pênalti para os azuis. Pena que em lance similar na área cruzeirense em cima de Renan Lodi, ocorrido na etapa final, ele tenha interpretado de forma diferente.

Mas, se não foi perfeita, esta foi seguramente a sua arbitragem menos ruim em jogos do Atletico. A expulsão de Villaba, por exemplo e, ao contrário da choradeira azul, foi mais que correta.

A partir do gol cruzeirense o Atlético, exorcizando os seus demônios, se entregou na busca da classificação. A ansiedade e a tensão levaram os atleticanos a falhar até de forma pixotesca e perder chances claras de gol. Bernard que o diga.

Claro que a expulsão de Villaba foi um compicador para o time azul. Mas, é verdade também que quando eram 11 contra 11 o Atlético já era superior e era também quem mais tinha criado situações de gol.

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O clube da Toca chegou com real perigo ao gol atleticano, além do pênalti que converteu, em quatro oportunidades: dois chutes de fora da área no primeiro tempo, o primeiro de Mateus Pereira para fora, e. O segundo de Arroyo para uma bela defesa de Everson,

E no segundo tempo, uma bola cruzada por Kaio Jorge que fez uma curva e se chocou no travessão de Everson e uma defesa de abafa de Everson, neutralizando uma infiltração de um atacante cruzeirense.

Barba mais uma vez mostrou que não só tem o grupo nas mos, como já conhece bem seus jogadores que, por sua vez, estão fechados com ele e afinados com as suas ideias de jogo. O argentino me heu no time mais vez com extrema facilidade, não só renovando fôlego, mas ajustando o time ao que o jogo exigia.

Fred, o maestro, Castanho, Victor Hugo,  o meia e Scarpa foram os destaques em um time no qual ninguém deixou a desejar. A zaga, com e sem Tressold, foi firme mais uma vez e o pênalti em nada desabona a atuação de Vitão.

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Lodi, Vitor Hugo, o zagueiro, Minda, Tressold, Cuello e Reinier, ótimos coadjuvantes. Natanael, Franco, Bernard, Vitão e Cassierra, guerreiros.

E Everson merece uma homenagem especial. Segundo o médico Rodrigo Lasmar a contusão do goleiro atleticano não é simples, mas sua disponibilidade e entrega foram excepcionais.

Por tudo isso o Atlético fez dois gols, ambos frutos de bela construção coletiva. Se Fred deu uma assistência espetacular para Victor Hugo fazer o primeiro gol atleticano, o meia atleticano, depois de um corta-luz genial de Reinier, devolveu a gentileza para para o maestro alvinegro fazer o gol da vitória do Galo, o seu primeiro gol para o Atlético nessa sua volta para a casa.

Por tudo isso, deu a lógica do merecimento. Deu o que estava escrito pelos deuses do futebol. Deu Galo na cabeça. E de virada, com dois belos gols, é muito mais gostoso.

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