A propaganda que marcou minha infância no Caiçara em 1984 foi a do Biscoito da Nestlé com seu dilema: Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho pois vende mais? Esse impasse me afligia ante da partida contra o Clube do Remo quando pensava no ataque do Galo.
Cassierra, a referência ofensiva do Galo, é cobrado insistentemente pela torcida devido a sua ausência na área adversária. A solução salomônica é a troca do atacante por outro que tenha faro de gol ou presença na zona do agrião. Porém, a peleja contra o Remo escancarou a realidade ofensiva alvinegra. Reinier, titular contestado pelo futebol em campo e por reações fora de campo, depois de uma cabeçada certeira e heróica, despertou o problema do Tostines: o 9 não faz gol porque a bola não chega ou a bola não chega porque o 9 não faz gol?
Para o arremate eficaz do então vilão Reinier, o amigo Preciado colocou a pelota na cabeça do então homem-gol que só precisou seguir uma das duas premissas do Rei Dadá: queixo no peito ou queixo no ombro. Simples assim em virtude da assistência primorosa do melhor jogador do galo em matéria de cruzamento na linha de fundo. Após essa apresentação merece titularidade por se tornar uma das armas do ataque alvinegro. Temos poucas por sinal.
Na minha mente uma das alternativas do segredo de Tostines ecoou: o 9 fez gol porque a bola chegou. E no segundo gol do Bernard após cruzamento rasteiro do Minda, outro equatoriano franciscano com amor ao próximo, foi equacionado o dilema que assolava meinha cabeça.
O ataque do gol fez gols contra o Leao do Norte pois a bola chegou independente da presença de um centroavante de ofício ou de maestria incontestável. A escalação de atletas com virtudes ofensivas enaltece o homem-gol. Mesmo com as limitações de quem é escalado para essa posição. O mistério foi desvendado.

