Estudei no Colégio Santo Antônio e fui aluno do Frei Jaime, que também foi diretor. Ele era muito bravo, e reza a lenda que tinha sido boxeador quando jovem. O confronto entre Galo e Saci pela quinta rodada do Brasileirão me lembrou o inesquecível educador pugilista.
Com tento de Cuello, o Galo venceu pelo placar franciscano de 1×0. O time foi humilde e competitivo, entendendo suas limitações e oferecendo a pelota ao adversário colorado, mas mantendo o foco na defesa. Apresentou apenas 35% de posse de bola, mas trabalhou bem as raras ações ofensivas, com um gol marcado e outro anulado.
Antes do ‘Barba’, o Galo tinha, em média, quatro chutes bloqueados por jogo. Esses bloqueios demonstravam a afobação do Atlético em concluir jogadas ofensivas, que surgiam em abundância, mas sem oferecer perigo à meta adversária. No boxe, o Galo Carijó era aquele pugilista que desferia vários socos no ar ou na luva do sparring e depois tomava um direto no queixo, beijando a lona.
No confronto com o Colorado, o golpe entrou logo no primeiro minuto de jogo. Depois disso, foram mais seis finalizações — duas no alvo — e nenhuma delas bloqueada pelo Internacional. Com Eduardo Domínguez, a equipe trabalhou melhor a ação ofensiva com inteligência e vigor, deixando para trás a afobação apresentada no período Sampaoli.
Na parte defensiva, os três “mosqueteiros” Ruan, Vitor Hugo e Román conseguiram dificultar as finalizações do Colorado. E, na ausência deles, surgia Everson, um dos muros da Arena do Galo. Mas o destaque individual foi Cuello, que vinha comendo banco por perder gols fáceis nas rodadas anteriores do Brasileirão, mas aproveitou a primeira e única oportunidade de gol que teve.
Creio que o ‘Barba’ repetirá o milagre de reabilitação de Cuello, como já visto no trabalho de Sampaoli com Bernard e de Milito com Saravia. O ‘Barba’ transformou o Galo em um boxeador frio e cirúrgico, sempre com a guarda alta e suportando os golpes do oponente.
Dessa maneira — e de placar franciscano em placar franciscano — a equipe alcançará a redenção com louvor de Frei Jaime.