Por décadas, quando um treinador estrangeiro assumia o comando do Atlético, era comum ouvir o sotaque uruguaio pelos lados da Cidade do Galo. A história, porém, mudou nos últimos anos.
A presença argentina ganhou força e passou a ocupar um espaço cada vez maior no banco alvinegro. Jorge Sampaoli, Antônio Mohamed, Eduardo Coudet e Gabriel Milito comandaram o Galo em um período relativamente curto.
Agora, Eduardo Domínguez tenta escrever um capítulo diferente dessa história e o cenário não poderia ser mais simbólico. O argentino está à frente de um Atlético que disputa, simultaneamente, as semifinais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Milito chegou às duas finais — mas ficou no quase

A comparação com Gabriel Milito é inevitável. Em 2024, o argentino conduziu o Atlético a duas das decisões mais importantes da temporada: Copa do Brasil e Libertadores. O Galo, porém, acabou derrotado nas duas finais. Primeiro, diante do Flamengo, na Copa do Brasil. Depois, contra o Botafogo, na decisão da Libertadores.
Milito deixou o clube sem conseguir levantar as duas principais taças que disputou naquele ano. Agora, dois anos depois, outro argentino recebe uma oportunidade parecida.
Domínguez e o desafio em dose dupla
Eduardo Domínguez chegou ao Atlético carregando uma trajetória vencedora no futebol argentino. O treinador já conquistou títulos importantes pelo Estudiantes e ganhou reputação especialmente pelo desempenho em competições de mata-mata.
No Atlético, a caminhada também ganhou contornos especiais. Na Sul-Americana, o Galo avançou até a semifinal após uma classificação dramática contra o Santos.
Depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, o time comandado por Domínguez reagiu na Arena MRV, venceu por 4 a 2 e garantiu a vaga nos pênaltis. Agora, o adversário será o Montevideo City Torque.
E há uma curiosidade nessa história: o confronto coloca o argentino diante justamente de um clube uruguaio — país que historicamente mais forneceu treinadores estrangeiros ao Atlético.

O caminho também está aberto na Copa do Brasil

Se a Sul-Americana oferece ao “Barba” a possibilidade de conquistar um título continental, a Copa do Brasil apresenta outro caminho para entrar na história do clube.
O Atlético está novamente entre os quatro melhores da competição e terá o Grêmio pela frente na semifinal. Ou seja, Domínguez está a poucos jogos de disputar duas finais, e é justamente aí que a história ganha peso.
De vice em 2024 à chance de ser campeão em 2026
Milito mostrou, em 2024, que um argentino poderia levar o Atlético às decisões mais importantes do calendário. Faltou a taça. Domínguez agora tem a oportunidade de ir além.
Caso consiga conduzir o Galo a um título, o treinador não apenas colocará seu nome na galeria de campeões do clube, como também poderá marcar uma nova etapa na relação entre o Atlético e os treinadores argentinos.
A história dos estrangeiros no Galo começou sendo fortemente marcada pelos uruguaios. Nos últimos anos, os argentinos assumiram protagonismo.
Agora, Eduardo Domínguez tem a chance de transformar esse protagonismo em taça. A Massa espera para descobir.

