A torcida do Galo tem motivos para chegar confiante para o confronto da Copa do Brasil contra o rival, nesta terça-feira (25/8), no Mineirão, pelo jogo de ida das quartas de final do torneio. E muito dessa confiança passa pelo momento vivido pela equipe sob o comando de Eduardo Domínguez.
O Canal Bica Galo traz uma análise do atual momento do Atlético em comparação com o cenário vivido pelo clube em 2025, quando também enfrentou o Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Atraso salarial, pedido de rescisão e protesto em treino faziam parte de um Atlético inconsistente em 2025
O ano de 2025, apesar de ter começado com o hexa do Campeonato Mineiro, rapidamente se tornou preocupante para os torcedores. Assim como em 2024, quando, além de amargar dois vice-campeonatos (Libertadores e Copa do Brasil), o Atlético repetia a fraca campanha no Campeonato Brasileiro. No final de julho, ocupava apenas a 13ª colocação, com 20 pontos em 15 jogos.
O desempenho esportivo abaixo não era o único empecilho do Galo. Problemas financeiros também faziam parte do cotidiano de forma negativa.
No dia 22 de julho, o atacante Rony entrou com um pedido de rescisão unilateral do contrato por conta de atrasos superiores a dois meses no pagamento do FGTS, além de luvas e outros compromissos financeiros.
Assim como Rony, outros atletas notificaram o Atlético, mas sem pedido de rescisão contratual.
Um dia depois, o então vice-presidente de futebol, Paulo Bracks, confirmou que, no dia 7 de julho, os jogadores haviam treinado com os bolsos dos calções para fora, indicando o não pagamento de seus respectivos salários em forma de protesto.
A situação só foi se acalmar quando Rubens Menin, sócio majoritário da SAF do Galo, se reuniu com os jogadores para esclarecer a situação e garantir que os valores seriam pagos. Rony, que havia entrado com um pedido de quebra de contrato, acabou recuando da decisão.
A volta enganosa por cima
Dois dias após as polêmicas envolvendo Rony, o Atlético entrava em campo para enfrentar o Atlético Bucaramanga, da Colômbia, pelos playoffs da Copa Sul-Americana. No jogo de ida, o Galo havia vencido fora de casa por 1 a 0, com gol de pênalti de Hulk. Portanto, um empate bastaria para a classificação às oitavas de final.
No entanto, isso não aconteceu. A Arena MRV pulsava com gritos de cobrança por parte dos torcedores. Dentro de campo, o Atlético acabou sendo derrotado por 1 a 0, levando a decisão para os pênaltis. Na disputa, Everson foi o diferencial, defendendo duas cobranças e convertendo a última, classificando o Galo.
Ainda no mês de julho, o Atlético partia para o Rio de Janeiro, onde enfrentaria o Flamengo pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Apesar de todo o favoritismo estar do outro lado, o Atlético conseguiu uma vitória importantíssima no Maracanã por 1 a 0, com gol de Tomás Cuello.
Porém, assim como na Sul-Americana, o Galo se viu derrotado no jogo de volta pelo mesmo placar, levando a partida para a disputa de pênaltis. Everson, novamente, fazia a diferença: defendeu uma cobrança e converteu o pênalti decisivo, classificando o Galo.
A classificação era grandiosa. Afinal, o Galo, mesmo com problemas financeiros e um time limitado, eliminava a equipe estrelada do Flamengo, favorita no duelo.
Clássico no mata-mata, demissão de Cuca e chegada de Sampaoli
Depois da classificação diante do Flamengo, o Atlético voltou suas atenções para o Campeonato Brasileiro e para o clássico contra o Cruzeiro, pelas quartas de final da Copa do Brasil.
O confronto acontecia em um momento de grande instabilidade dentro do clube, apesar dos resultados positivos conquistados nas copas.
Naquele momento, Cuca ainda era o treinador do Galo, mas já enfrentava questionamentos pelo desempenho da equipe.
O Atlético chegou ao clássico pressionado. Apesar da classificação na Sul-Americana às quartas de final, vencendo os dois jogos contra o Godoy Cruz, na Argentina, e garantindo a vaga com um placar agregado de 3 a 1, o Galo seguia vivendo um mau momento no Brasileirão. Antes do clássico, já acumulava três jogos sem vitória pela competição.
No jogo de ida, o Atlético acabou sendo derrotado por 2 a 0 na Arena MRV. O resultado levou à demissão de Cuca. Para o seu lugar, Jorge Sampaoli foi contratado pela segunda vez, após intensa campanha dos torcedores do Atlético nas redes sociais.
No entanto, a mudança no comando não foi suficiente para evitar a eliminação. O Galo acabou sendo derrotado também por 2 a 0 no Mineirão e deu adeus à Copa do Brasil.
Com Eduardo Domínguez, o momento é distinto — e começou justamente contra o rival
É verdade que o início do trabalho do técnico Eduardo Domínguez não foi promissor.
Com atuações fracas e até rumores de uma possível demissão, o Atlético parecia caminhar para mais um ano de turbulências. Porém, a virada de chave aconteceu justamente contra o Cruzeiro, adversário na Copa do Brasil.
Até aquele momento, Domínguez encontrava grande inconsistência nos resultados: eram 15 jogos, com sete vitórias, um empate e oito derrotas, o que representava um aproveitamento de 42,2%.
Veja os jogos do Atlético antes do clássico:
– América 0x0 Atlético
– Cruzeiro 1×0 Atlético
– Atlético 1×0 Internacional
– Atlético 2×0 Vitória
– Atlético 1×0 São Paulo
– Fluminense 1×0 Atlético
– Chapecoense 0x4 Atlético
– Atlético 2×1 Athletico-PR
– Puerto Cabello-VEN 2×1 Atlético
– Santos 1×0 Atlético
– Atlético 2×1 Juventud-URU
– Coritiba 2×0 Atlético
– Atlético 2×1 Ceará
– Atlético 0x4 Flamengo
– Cienciano-PER 1×0 Atlético
No clássico, o Galo conquistou uma grande vitória no Mineirão, ao derrotar o Cruzeiro por 3 a 1. A partir dali, Domínguez iniciou uma série de bons resultados, mesmo com o futebol praticado sendo considerado abaixo do esperado em alguns momentos.
Desde então, em 18 jogos, foram nove vitórias, sete empates e apenas duas derrotas, chegando a um aproveitamento de 62,9%, além de garantir a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil e da Sul-Americana.
Além dos bons resultados, a invencibilidade chama atenção. Ao todo, o Galo já acumula 11 jogos sem derrotas. A última aconteceu contra o Corinthians, em São Paulo, por 1 a 0, há exatos três meses.
No Brasileirão, o cenário também é mais animador em relação aos últimos dois anos. Atualmente, o Galo ocupa a nona colocação, com 33 pontos em 23 jogos — um a menos que a maioria dos concorrentes. A distância para o G-5 está na casa dos seis pontos.
Confira os jogos do Atlético desde o clássico:
– Juventud-URU 2×2 Atlético
– Atlético 1×1 Botafogo
– Ceará 2×1 Atlético
– Atlético 3×1 Mirassol
– Atlético 2×0 Cienciano-PER
– Corinthians 1×0 Atlético
– Atlético 1×0 Puerto Cabello-VEN
– Vasco 0x1 Atlético
– Atlético 1×1 Bahia
– Palmeiras 1×2 Atlético
– Atlético 0x0 Juventude
– Juventude 0x1 Atlético
– Remo 2×2 Atlético
– Bragantino 0x1 Atlético
— Atlético 3×0 Grêmio
— Atlético 2×2 Bragantino
— Internacional 0x0 Atlético
Galo tem novo reforço de peso
Outro fator que pode aumentar a confiança da torcida é a chegada do volante Fred. Com passagens por grandes clubes da Europa e duas Copas do Mundo no currículo, o jogador já está à disposição de Eduardo Domínguez para a sequência da temporada.
Fred foi apresentado oficialmente na última quarta-feira (19/8) e não demorou para fazer sua estreia com a camisa do Galo. Apenas três dias depois, o volante entrou em campo diante do empate por 0 a 0 contra o Internacional, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro.
O que é dito por Domínguez?

