Essa é a pergunta que tem me assombrado há algum tempo. 2026 tem sido um ano extremamente complicado para o Atlético. A desestruturação emocional, mental e moral do elenco chegou a um nível tão assustador que muitos, eu entre estes, passaram a entender que o grupo atleticano havia falido com o tal.
Em sua entrevista coletiva depois de seu time ter sido derrotado pelo Galo por 1 x 0, o técnico Wagner Mancini, curto e grosso, porém respeitoso, disse o seguinte: “Se eu fosse técnico do Atlético, com todo respeito, hoje eu teria saído de campo preocupado”.
É exatamente esse o sentimento que me dominou ao ver este jogo: uma imensa preocupação. Não há como não entender e não concordar com o treinador do Bragantino.
Não obstante seja forçoso e claro reconhecer a importância e qualidade do trabalho que Barba vem desenvolvendo à frente do comando técnico do Galo, bem circundado por Guilherme Alves, excelente em sua função de gerente de futebol, também é necessário e óbvio admitir que o grupo atleticano, a par de sua nítida e auspiciosa evolução, ainda se ressente bastante e, de forma muito preocupante, daqueles momentos tenebrosos de terra quase arrasada sem volta, vividos antes de chegada de Dominguez.
Definitivamente o que se viu nesse jogo diante do Bragantino acendeu o alerta vermelho. Depois de um primeiro tempo relativamente sólido, porém já de baixa intensidade coletiva e ofensiva e pontuado por alguns erros preocupantes, o que se viu no segundo tempo foi assustador.
Não se trata de problemas individuais, de má fase ou de deficiência técnica ou física ou ainda de caráter deste ou daquele atleta. Não se trata, também, de não querer e de não estar nem aí. Se trata, por outro lado, de não poder. Nem sempre querer é poder.
Nitidamente o problema é coletivo. Quando um problema é coletivo, ainda que exista uma ou outra honrosa exceção, ele tem raízes fora do campo.
Se é verdade que o Atlético não levou grandes sustos na etapa inicial, também é fato inquestionável que ao time atleticano faltou maior rotação e intensidade coletiva e ofensiva e que vários jogadores mostraram ter entrado em campo já engolidos por um torpor mental irritante.
O gol de Bernard, resultante de uma jogada individual, premiou o atleta, único jogador de linha a ter algum brilho durante todo o jogo.
O Galo voltou para o segundo tempo absolutamente impotente. Uma estranha espécie de “afasia futebolística” parecia ter se abatido sobre os jogadores atleticanos que, à exceção do jovem goleiro Gabriel Delfim, foram se transformando em zumbis.
Incapazes de articular qualquer construção coletiva e de fazer um jogo minimamente impositivo, errando bastante e, por vezes, de forma bizarra, aos atleticanos só restou baixar aos suas linhas e fazer uma angustiante e sofrida partida de resiliência,
Foram 45 minutos terríveis e de imensa provação para a Massa atleticana. Ora atarantados, ora incapazes de elaborar o básico, muito tensos e errando muito, os jogadores atleticanos se mostravam impotentes e perdidos, enquanto os adversários empilhavam chances claras de gol.
E duas foram as razões que jogaram a favor do Atlético, impedindo que o Bragantino traduzisse em gols a sua imensa superioridade na etapa complementar: a atuação excepcional de Gabriel Defim em primeiro lugar e, em segundo, os pecados da equipe paulista na finalização.
Coisas do futebol, como reconheceu Wagner Mancini, mas que não minimizam a preocupação que deve estar assombrando a mentes e os espíritos atleticanos.
O trabalho do Barba, ainda sem títulos e sem garantir a volta do Galo à Libertadores, já é exitoso e merecedor de todos o elogios. Além de pegar um grupo arrasado emocional, mental e moralmente, desequilibrado em vários aspectos e fisicamente arrebentado, Dominguez teve e continua tendo também que enfrentar vários obstáculos internos e externos.
De um lado um calendário extremamente pesado e desgastante, com jogos de três competições de características diferentes, em todos os dias de semana, intercalados por viagens longas e de logística complicada, com viradas de chave constantes, intensificando os cada vez mais intensos desgastes emocional, mental, moral e físico.
De outro, um combo de problemas internos, associados aos traducionais ataques dos inimigos de sempre e aos recorrentes circos midiáticos desestabilizadores e potencializados pela fragilidade histórica do clube no jogo do bastidores.
E é exatamente em razão desse conjunto de problemas, sejam aqueles que ainda remanescem, sejam aqueles que deixaram sequelas emocionais e desequilíbrios mentais, que inevitavelmente insistem em se refletir negativamente no desempenho dos jogadores em campo, é que venho me perguntando com que pernas e com que cabeças o Galo chegará à reta final desta temporada.
Achar a resposta a esta pergunta para o Atlético significa buscar trabalhar com sabedoria e eficiência o moral, o mental e o emocional do grupo, administrando e minimizando o desgaste físico decorrente deste cenário hostil.
É tarefa fácil? Não. Mas, necessária e essencial para manter vivos os sonhos de algum título nesta temporada, Sul-americana e/ou Copa do Brasil e de uma vaga na Libertadores 2027.
Mas, o mais importante para o clube é que todo esta turbulência sirva de aprendizado para que não mais se repitam os erros de gestão do futebol, de planejamento de elenco e de trato do jogo do bastidores que têm se refletido de forma tão negativa na vida do Atlético.

