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2 de junho de 2026

Terminamos melhor do que esperávamos

Barba

Por Marco Geves

A verdade precisa ser dita, Massa: o primeiro semestre do Galo terminou melhor do que muita gente imaginava.

E olha que isso não significa dizer que foi um semestre brilhante. Não foi. O Atlético ainda oscila, ainda sofre mais do que deveria, ainda tem partidas em que parece se perder dentro do próprio jogo e ainda carrega problemas que não nasceram agora. Mas, quando a gente olha para o ponto de partida, para o ambiente que o clube vivia, para a desconfiança em cima do elenco e para a chegada do Barba Domínguez em meio a um processo de reconstrução, o saldo é mais positivo do que parecia possível.

O Galo chega à pausa em 9º no Campeonato Brasileiro, vivo nas oitavas da Copa Sul-Americana e também seguindo na Copa do Brasil. Isso, por si só, já mostra que o semestre não foi perdido. A classificação às oitavas da Sul-Americana foi confirmada com vitória sobre o Puerto Cabello, em jogo na Arena MRV, e o próprio Domínguez destacou a importância da conexão entre time e torcida nesse processo.

A gente sabe como começou. O torcedor estava machucado, desconfiado e, em muitos momentos, sem paciência. E com razão. O Galo vinha de frustrações, de atuações pobres, de decisões ruins e de um elenco que parecia pesado, lento e sem alma. Não era só uma questão tática. Era mental, física e institucional.

Quando Barba chegou, a cobrança era simples: dar um mínimo de rumo ao time. Não precisava inventar moda. Não precisava transformar o Atlético em uma máquina da noite para o dia. A missão era recuperar competitividade, organizar a casa e fazer o Galo voltar a parecer um time confiável.

E, sinceramente? Ele conseguiu avançar.

Não dá para dizer que o Atlético joga bonito. Não dá para dizer que o time encanta. Também não dá para passar pano para jogos ruins, como o próprio treinador reconheceu depois da classificação dramática na Copa do Brasil, quando admitiu que a equipe não tinha feito uma boa partida, mas valorizou a calma do grupo para seguir vivo.

Mas existe uma diferença importante entre jogar mal e estar morto. O Galo, em vários momentos, jogou mal. Só que não morreu.

E isso, para um time em reconstrução, pesa.

O Atlético passou a competir mais. Passou a sofrer menos emocionalmente. Passou a ter uma ideia mais clara, mesmo que ainda longe do ideal. Domínguez já havia falado, ainda no começo do trabalho, em uma “mudança profunda” e em tempo para reconstruir o grupo. Hoje, olhando para trás, dá para perceber que essa reconstrução começou. Ela não está pronta, mas começou.

O torcedor do Galo não é bobo. A Massa sabe quando o time está entregando pouco. Mas também sabe reconhecer quando existe esforço, evolução e resposta. E talvez esse seja o ponto principal do semestre: o Atlético terminou melhor do que começou.

No Brasileiro, estar em 9º não é motivo para soltar foguete. O Galo tem camisa, estrutura e investimento para brigar mais alto. Mas, pelo cenário que se desenhava, terminar essa primeira parte no meio de cima da tabela, com margem para crescer, é melhor do que viver afundado na crise e olhando só para baixo.

Na Sul-Americana, o Galo segue vivo. E mata-mata é outro campeonato. Não adianta fazer terra arrasada. O Atlético tem elenco, tem camisa e tem ambiente de Arena para incomodar qualquer adversário. Pode ganhar? Pode. Vai ser fácil? Nunca é. Com o Galo, quase nada é fácil.

Na Copa do Brasil, a permanência também tem valor. É uma competição que muda temporada, muda caixa, muda ambiente e muda pressão. Seguir vivo significa manter uma porta importante aberta.

Mas o Galo precisa entender uma coisa: o segundo semestre não pode ser apenas sobrevivência.

O primeiro semestre serviu para estabilizar. O segundo precisa servir para crescer.

Agora, a cobrança muda. Barba já teve tempo para conhecer melhor o elenco. A diretoria já sabe onde o time é carente. A torcida já entendeu que existe trabalho, mas também já percebeu os limites desse grupo. Então não dá para empurrar tudo com a barriga.

O Galo precisa de mais intensidade, mais repertório ofensivo, mais regularidade e mais decisões corretas fora de campo. Precisa parar de viver de lampejos. Precisa transformar competitividade em desempenho. Precisa fazer da Arena MRV uma força real, não apenas um cenário bonito.

E precisa, principalmente, voltar a dar ao torcedor aquela sensação de que pode ganhar jogo grande.

Porque é isso que move a Massa.

No fim das contas, o balanço é esse: não foi um semestre para se empolgar demais, mas também não foi um semestre para destruir tudo. Foi um semestre de reconstrução, ajuste e sobrevivência competitiva.

O Galo ainda está devendo futebol. Mas já não parece aquele time completamente sem rumo.

Terminamos melhor do que esperávamos. Agora, o desafio é começar o segundo semestre melhor do que terminamos o primeiro.

Porque no Atlético, Massa, melhorar é obrigação. Competir é o mínimo. E ganhar tem que voltar a ser costume.