A exemplo do que tem acontecido nos últimos anos a partir do início de 2022 quando o Galo sagrou-se Supercampeão brasileiro fechando o ciclo extraordinariamente vitorioso de 2021, a água atleticana parece ter secado de vez nesta temporada.
Essa é a conclusão de um número cada vez maior de galistas.
Que o Atlético teria uma missão extremamente difícil e pesada no final desta temporada já era sabido e ressabido por muitos no mundo alvinegro e outros tantos observadores que, porventura, estivessem acompanhando o roteiro atleticano neste turbulento 2026.
O combo de problemas que sacudiu o clube, principalmente no período anterior à Copa do Mundo, mergulhou o Galo em um buraco sem fundo de onde parecia que o Atlético conseguiria sair.
A chegada de Guilherme e de Guilherme Domingues fez o clube, tal e qual um a Fênix, ressurgir das cinzas. Um Galo revigorado pós-Copa renovou os ânimos e fez renascer o acreditar nos corações e mentes atleticanos
O Atlético conseguiu exorcizar de vez o fantasma do rebaixamento, fez jogos que deram prazer de se ver e avançou nas Copas de forma impressionante.
Mas, um calendário perverso e insano, um elenco absolutamente desequilibrado, fruto de um planejamento estupidamente deficiente, um jogo de bastidores política e moralmente fragilizado, para nao dizer omisso e nulo, e uma gestão caquética do seu futebol, inevitavelmente teriam que deixar sequelas, comprometendo severamente esta reta final de temporada.
O desgaste mental e físico .do grupo alvinegro chegou a um nível insuportável e não há como isto não influenciar negativamente e, em graus variados, o rendimento individual dos atletas e o desempenho tático-coletivo do time em campo, independentemente de que for a campo.
Ainda que tarde, a ficha começa a cair para alguns formadores de opinião da mídia convencional e, também, para alguns perfis e “influencers” das redes sociais.
Gostaria muito de acreditar que, igualmente, o alto comando da SAF atleticana já tenha reconhecido suas falhas e percebido a importância vital para o clube de repensar seus métodos e conceitos de gestão do futebol.
Tenho insistido que o Atlético já deveria ter estabelecido para si duas frentes prioritárias de ações estratégicas e proficientes. Uma de curtíssimo prazo, focando nesta reta final de temporada, com o objetivo de minimizar os efeitos negativos do conjunto de problemas que vem sacudindo o clube
A outra, priorizar o planejamento de próxima temporada e das seguintes, buscando não mais incorrer nos erros que têm trazido para o clube enormes prejuízos esportivos, financeiros, administrativos, técnicos e morais, muitas vezes incontornáveis.
Diante do Grêmio, o Galo acumulou a sua terceira derrota seguida em sete dias, fato inédito neste período de Pós-Copa, o que por si só, deixa claro, para quem ainda duvida, que o elenco atleticano vem, de fato, se ressentindo das consequências nocivas de tudo de ruim que aconteceu e continua acontecendo com o clube.
Ainda que o time tenha tido algum volume de jogo, ainda que o Galo tenha chegado à área gremista várias vezes e ainda que o tricolor gaúcho tenha sido cirúrgico e com isso marcado seus dois gols, a falta de contundência do ataque atleticano, a pontaria ineficiente, as escolhas equivocadas e os erros de passe cometidos, alguns recorrentes, as debilidades defensivas, particularmente no jogo aéreo e na reação com delay de seus zagueiros, refletiram em campo o péssimo planejamento de elenco e o enorme desgaste físico e mental de seus atletas.
“Ah! Mas, o Barba errou muito e o Lyanco falhou de novo”. Fato inconteste para mim, por exemplo, ainda que o errado para Fulano possa ser entendido como certo para o Ciclano e justificável para o Beltrano. A verdade, porém, é que ninguém acerta sempre.
No futebol o erro pode acontecer e acontece com frequência tanto dentro de campo, como fora dele, antes, durante e depois dos jogos.
É absolutamente normal que todo treinador tenha o(s) seu(s) jogador(se) de confiança. Assim como na vida e em qualquer atividade e segmento social ou familiar, também é natural que ele também simpatize mais com A e B do que com C e D.
De mesma forma, também faz parte do esporte que este ou aquele jogador tenha mais facilidade na assimilação das ideias de jogo do treinador do que aquele(s) outro(s).
Tudo isso requer de qualquer clube uma estrutura organizacional e uma expertise no trato do futebol que ordinariamente não se vê há muito no Atlético.
Insistir com este ou aquele jogador ou ainda com este ou aquele esquema tático mais do que deveria e à revelia dos que os resultados indicam, é pecado comum à grande maioria dos treinadores.
Teimosia? Vaidade exacerbada? Apego ou confiança exagerada às suas ideias de jogo? Necessidade de provar a alguém ou a si próprio o seu valor e o seu conhecimento? Recursos táticos reduzidos? Tudo isso junto e misturado?
Nada disso é impossível. Ao contrário, fazem parte do futebol. Quando isso acontece, seja porque razão for, os times vão se tornando facilmente marcáveis e inoperantes, pois os técnicos adversários vão percebendo as suas vulnerabilidades e os neutralizando e superando. Não é mesmo, Sampaoli?
Mas, no caso do Atlético atual os problemas vão além. Os desequilíbrios do elenco, o violento desgaste físico e mental e as consequentes contusões e este calendário cruel e desumano, obrigam o treinador Eduardo Domingues a mandar a campo mais do que o indicado jogadores bastante debilitados e com alto risco de se lesionarem e, portanto, incapazes de entregar um bom futebol.
Nesse cenário, os erros dentro e fora das quatro linhas são inevitáveis e quase sempre fatais.
Mas, contudo, todavia, porém, se não está nada ganho, também ainda não tem nada totalmente perdido. Tudo é possível no futebol.
Ganhar as duas Copas ou apenas uma delas ou ainda uma vaga na Libertadores 2027 via Brasileirão ainda são coisas incrivelmente factíveis para o Atlético, embora cada vez mais e mais difíceis de se realizarem.
Só nos resta torcer como só o atleticano sabe fazer. Quem sabe aquela Massa que já derrotou o vento mais de uma vez não consegue vencer este ciclone extra-tropical que o Galo tem pela frente?
Quem sabe se no fundo do poço atleticano ainda tem um restinho de água que a paixão imensurável de cada galista não possa transformá-lo em um tsunami de vitórias e alegrias para o mundo preto e branco?

