A torcida atleticana tem mais um encontro marcado com a história. O Galo está na final da Copa Sul-Americana de 2026 e terá pela frente o tradicional Boca Juniors, da Argentina, em uma decisão marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia. A classificação confirma a presença do Galo em sua segunda final consecutiva do torneio e na terceira decisão continental em três temporadas, considerando também a Libertadores de 2024.
A caminhada até a decisão foi construída com momentos de afirmação, partidas dramáticas e demonstrações de capacidade de reação. Sob o comando do argentino Eduardo Domínguez, o Barba, o Alvinegro superou obstáculos importantes e chega à reta final com a possibilidade de transformar a frustração da temporada passada em uma conquista histórica.
Fase de grupos: liderança e classificação direta

O primeiro passo do Atlético foi garantir a liderança do Grupo B, com dez pontos, resultado que assegurou a classificação direta para as oitavas de final.
A campanha na primeira fase permitiu ao clube avançar sem precisar disputar os playoffs, etapa que poderia representar desgaste adicional em um calendário já exigente. A partir dali, entretanto, o caminho ficaria mais complicado, com confrontos eliminatórios e a necessidade de confirmar a superioridade dentro e fora de casa.
Oitavas de final: Cuello decide, e o Galo escapa da pressão

O primeiro grande teste do mata-mata foi contra o Red Bull Bragantino. No jogo de ida, em Bragança Paulista, o Atlético venceu por 1 a 0, com gol de Tomás Cuello, levando uma vantagem importante para a Arena MRV.
Na volta, o confronto ganhou contornos dramáticos. O Bragantino marcou duas vezes, enquanto Maycon havia empatado para o Galo, com o placar de 2 a 1 para os visitantes, o Atlético ficou perto de ver a classificação escapar. Foi então que Cuello voltou a aparecer. Aos 47 minutos do segundo tempo, o argentino marcou o gol de empate por 2 a 2, garantindo a classificação atleticana com o placar agregado de 3 a 2. Mais do que avançar, o Galo mostrou capacidade de responder em um momento de pressão, característica que voltaria a ser decisiva nas fases seguintes.
Quartas de final: a reação histórica contra o Santos

Se a classificação diante do Bragantino exigiu emoção até os últimos minutos, o confronto com o Santos elevou ainda mais o nível de dificuldade. Na partida de ida, na Vila Belmiro, o Atlético foi derrotado por 2 a 0 e chegou à Arena MRV precisando de uma vitória por pelo menos dois gols para levar a decisão adiante. A resposta veio em uma noite inesquecível para o torcedor alvinegro. Bernard abriu o placar com apenas 17 segundos de jogo, e Reinier marcou duas vezes ainda no primeiro tempo. Depois de o Santos diminuir a diferença, Tomás Cuello balançou as redes aos 46 minutos da etapa final, estabelecendo o 4 a 2.
Com o agregado empatado em 4 a 4, a vaga foi decidida nos pênaltis. Gabriel Delfim assumiu o protagonismo e defendeu três cobranças, ajudando o Atlético a vencer por 3 a 1 e garantir presença na semifinal. A classificação representou um dos capítulos mais marcantes da campanha, diante de um cenário adverso, o time encontrou forças para reagir, contou com o apoio da torcida e confirmou a vaga entre os quatro melhores da competição.
Semifinal: vantagem na Arena MRV e tensão em Montevidéu

O adversário na semifinal foi o Montevideo City Torque, do Uruguai. No primeiro confronto, na Arena MRV, o Galo construiu uma vantagem expressiva ao vencer por 3 a 0, com gols de Reinier, Bernard e Thiago Borbas.
O resultado deixou o clube mineiro em posição confortável para a partida de volta, disputada no Estádio Centenário, em Montevidéu. No entanto, a equipe uruguaia não facilitou a classificação. O City Torque venceu por 2 a 0, com gols de Kevin Silva e Kagelmacher, e pressionou até os minutos finais. O Atlético ainda precisou lidar com a expulsão de Alan Franco, aumentando a tensão em campo.
Apesar da derrota, a vantagem construída em Belo Horizonte foi suficiente, o placar agregado de 3 a 2 confirmou a classificação do Galo para a grande final. O resultado também deixou uma preocupação para a decisão: Alan Franco está suspenso após a expulsão na semifinal e será desfalque diante do Boca Juniors.
Eduardo Domínguez e a oportunidade de transformar a campanha em título

A trajetória atleticana também coloca em evidência o trabalho de Eduardo Domínguez. Contratado em fevereiro de 2026, o treinador argentino conduziu a equipe por confrontos de características distintas: a classificação apertada contra o Bragantino, a virada sobre o Santos e a administração da vantagem diante do City Torque.
O percurso mostra um Galo capaz de competir em cenários de pressão, mas também evidencia pontos que precisarão de atenção na decisão. A derrota no Uruguai, mesmo com a classificação assegurada, reforça a importância de manter a concentração durante os 90 minutos e evitar que o adversário encontre espaços para crescer na partida.
A final exigirá equilíbrio emocional, organização defensiva e eficiência nas oportunidades criadas. Do outro lado estará o Boca Juniors, uma das camisas mais tradicionais do futebol sul-americano e um adversário acostumado a decisões continentais.
Boca Juniors: o último obstáculo rumo à conquista inédita

O dia 21 de novembro marcará o encontro entre Atlético e Boca Juniors no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, na Colômbia.
O confronto colocará frente a frente duas equipes que carregam tradição e ambições continentais. Para o Galo, será a oportunidade de conquistar pela primeira vez a Copa Sul-Americana e dar uma resposta esportiva à derrota sofrida na decisão de 2025, quando perdeu para o Lanús nos pênaltis, após empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação.
O histórico recente aumenta o peso da partida. Depois de chegar à final da Libertadores em 2024 e da Sul-Americana em 2025, o Atlético volta a disputar um título continental em 2026. A sequência demonstra a presença do clube entre os protagonistas do futebol sul-americano, mas também aumenta a expectativa por uma conquista que coroe esse percurso.
A hora de escrever um novo capítulo

A caminhada até Barranquilla teve gols decisivos, viradas, disputa por pênaltis e uma semifinal que exigiu resistência até o último instante. O Atlético superou cada etapa e agora está a uma partida de transformar uma campanha de superação em um título internacional.
Para a Massa Atleticana, a expectativa é de uma decisão que pode marcar uma geração. Para o elenco e a comissão técnica, o desafio será converter tudo o que foi construído ao longo do torneio em uma atuação segura diante de um adversário de peso.
Em novembro, o Galo terá a chance de encerrar a história iniciada após a frustração de 2025 com um desfecho diferente. A caminhada até a final já está escrita. Falta agora o capítulo mais importante: a decisão contra o Boca Juniors.

