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PRETO NO BRANCO

O QUE OS JOGADORES DO ATLÉTICO ESTÃO FAZENDO É MUITO DIFÍCIL

Max Pereira
Max Pereira
Publicado em 12 out 2026 · 6 min de leitura

Essa foi a frase mais marcante da entrevista coletiva do Barba após a vitória de virada do Atlético sobre o Santos. O Galo definitivamente se marcou nesta temporada com o time da resiliência, do acreditar até o fim, do não desistir nunca, das viradas espetaculares e do amor infinito.

A história do Atlético já é demarcada por viradas antológicas e por jogos e conquistas que ficaram para sempre na memória de seus torcedores, na boca do povo e nos anais do futebol brasileiro.

Mas, nesta temporada algo de muito especial vem acontecendo. As chegadas de Eduardo Dominguez e de Guilherme Alves mudaram radicalmente o cenário do clube que, obviamente, ficou mais exposto a um tipo de “noticiário” panfletário, tendencioso e midiático, ao mesmo tempo em que se tornou personagem obrigatória de programas esportivos, manchetes, jornais, blogs e comentários dos mais diversos segmentos da mídia convencional e das redes sociais.

Barba e Guilherme chegaram e pegaram o Atlético em um ambiente de terra arrasada. E estão fazendo um trabalho fantástico.

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Com Dominguez, o elenco atleticano recuperou a alegria de jogar, a autoconfiança e a autoestima, está aprendendo a sofrer e, em consequência, está conseguindo praticar e impor um futebol coletivo e intenso e, principalmente, não se entregar, lutar e acreditar até o fim.

Com Guilherme, fazendo um trabalho que pouco aparece para a torcida, o Atlético resgatou o vestiário e o grupo alvinegro se uniu de vez.

Os momentos que se desenham nesta reta final de temporada podem, se tudo for bem conduzido e cuidado, serem tão ou mais felizes e, principalmente, bem mais duradouros e profícuos, quanto estes que estas viradas épicas e as classificações na Copa do Brasil e na Sul-americana têm proporcionado à imensa legião de torcedores espalhados mundo afora.

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Mas, óbvio, as simples contratações destes dois profissionais em si nada significam e nada continuarão produzindo de positivo para o clube se o Atlético errar. E o alto comando do clube já errou demais nestes últimos tempos e, particularmente, neste 2026.

O Atlético chegou a um momento que é fundamental pensar e desenvolver estratégias no curto, no médio e no longo prazos.

No curto prazo, considerando o contexto interno do clube e o cenário atual do futebol brasileiro, o sucesso do Barba e do ex-artilheiro, hoje Gerente de Futebol, Guilherme Alves, daqui prá frente na reta final desta temporada, vai depender de como o comando central  entender o quão é importante é não errar mais, é blindar o elenco dos circos midiáticos e buscar minimizar os efeitos danosos deste calendário insano e pesado.

No médio e longo prazos, o sucesso e o futuro do Galo passa por planejar o Atlético para 2027 e temporadas seguintes, mudando, de uma vez por todas, as concepções e os métodos de governança e trato do futebol, tornando o clube transparente, sustentável e superavitário.

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Ou seja, seria pueril demais imaginar que simples contratações de quaisquer profissionais, atleta ou não, tem o condão de fazer do Glorioso, dentro de alguns anos, um dos três clubes mais ricos do país ou uma potência mundial. Sem trabalho, planejamento e boa governança, nenhum profissional é garantia de nada.

É condição “sine qua non” para crescer e obter resultados positivos que se pense grande e que haja planejamento e investimento. Para que haja uma colheita auspiciosa é necessário que aconteça antes o bom cultivo e os cuidados com a plantação para que  nenhuma praga a destrua.

No futebol não é diferente. A contratação de profissionais de ponta, para atuarem dentro ou fora de campo, pode ser, em termos econômicos, uma ótima sacada. Não são os salários  em si, por mais altos que sejam, que irão quebrar o clube.

Há que se levar em conta sempre a relação custo-benefício. Um profissional barato pode sair muito caro se não entregar nada e ainda trazer muitos problemas.

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O Atlético tem nos mostrado que para o clube comprometer qualquer trabalho tem sido muito fácil, gerando prejuízos por vezes catastróficos.

É práxis corriqueira o Atlético declarar que o Galo não fará loucuras no mercado em razão das dívidas do clube. Mas, o que significa não fazer loucuras? Particularmente, entendo que não fazer loucuras seria, primeiro, não não contratar jogadores e profissionais de ponta e, sim, não fazer quaisquer contratações sem planejamento financeiro e empurrando dívidas para o futuro.

Segundo, significa não fazer contratações sem observar o perfil do atleta e à revelia da análise de mercado e de retorno do negócio.

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Terceiro, não trazer jogadores sem o cuidado com a montagem e o equilíbrio do elenco, ou seja, sem considerar suas características físico-atléticas e tático-funcionais, erros nos quais o Atlético vem incorrendo com frequência indesejável nos últimos anos e bastante comuns na história do clube.

E, por último, não gerir o grupo e o próprio clube, priorizando de forma temerária e inconsequente a receita de vendas de jogadores e colocando irresponsavelmente atletas na vitrine e, em consequência, comprometendo o trabalho do treinador de plantão, desequilibrando o elenco e corroendo o vestiário, como habitualmente tem acontecido.

Não sem razão, pois, o que os atletas alvinegros vêm fazendo neste pós-Copa é, além de muito difícil, admirável. E o clube tem grande responsabilidade nisso. E, claro, o dever de contribuir para fazer o trabalho do Barba, do Guilherme, dos profissionais que atuam direta e indiretamente no futebol e dos jogadores, mais leve e mais produtivo.

E, isso acontecendo, a história do clube certamente será recortada por muitas outras viradas históricas e grandes títulos.

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