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PRETO NO BRANCO

DE OLHOS E OUVIDOS ABERTOS E COM O BARBA ATÉ O FIM

Max Pereira
Max Pereira
Publicado em 3 out 2026 · 7 min de leitura

A passagem do técnico Tite pelo Atlético não traz boas recordações. “Tite morreu abraçado com suas ideias de jogo”, diziam muitos atleticanos que não escondiam o alívio e a alegria pela saída do treinador.

Claro que seu fracasso no comando técnico do Atlético não se deve única e exclusivamente à sua teimosia. Existiram outros fatores que jogaram contra o seu trabalho.

Mas, é induvidoso que muitos treinadores põem tudo a perder, seja insistindo com esse ou com aquele jogador que, por razões diversas, não está conseguindo entregar o que dele se espera, seja por insistir com um esquema que não está funcionando.

Vaidade? Teimosia? idiotia? Ação defensiva ingênua e estéril? Tudo isso junto e misturado? Relembrei de Tite no Galo porque para mim é um caso emblemático.

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Muitos outros treinadores que passaram pelo Atlético também se perderam por insistir no mesmo modelo de jogo ou na escalação deste ou aquele atleta que já nao mais podia corresponder a qualquer expectativa.

Muitas vezes, os recursos táticos de um treinador se esgotam com o passar do tempo. Em outros momentos, um determinado atleta demonstra imensa dificuldade na leitura das ideias de jogo de seu técnico ou este não consegue encaixa-lo em seu sistema.

É natural que um treinador tenha o seu jogador de confiança, assim como é também do futebol que qualquer jogador não goste de ser reserva e, até mesmo, se sinta injustamente preterido em relação a algum companheiro de equipe.

Essas e outras situações típicas do esporte indicam que uma boa gestão de vestiário e de grupo é cada vez mais imprescindível em um clube de futebol. Nenhum trabalho frutifica e nenhum treinador resiste se o clube falhar neste quesito.

Muitos técnicos de conhecimento e capacidade inegáveis se deram mal porque graças ao seu espírito desagregador colecionaram desafetos e perderam o vestiário.

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Em outras situações a má gestão do futebol e do grupo, o péssimo planejamento do elenco, o descumprimento de compromissos assumidos e o descuido ou a omissão no jogo dos bastidores é que são o fatores que corroem o vestiário e derrubam qualquer treinador.

O grande desafio do Barba não é levar o time do Atlético à perfeição, mesmo porque isso é impossível. É levar e manter o time até o final desta temporada pró-ativo, resiliente, competitivo, em evolução constante e mentalmente equilibrado.

É saber identificar, administrar e aprender com os erros. É saber ver e ouvir. É aprender e entender que existem escolhas e escolhas e que elas geram consequências. É saber, pois, que não é um trabalho fácil.

É saber, também, identificar as críticas construtivas e com elas refletir e a avaliar o seu trabalho e saber administrar os maus momentos é o desafio de qualquer profissional, treinador, atleta e dirigente, cada qual em sua função e espaço.

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Em uma entrevista recente o técnico de seleção brasileira Carlo Ancelotti, mostra do estar claramente irritado com a críticas feitas ao seu trabalho após o primeiro jogo do Brasil nesta data FIFA, disse, e alto e bom som, que o reflexo delas no se trabalho é zero.

Não separar o joio do trigo, i.e., o que é construtivo do que é agressivo, midiático, destrutivo e desestabilizador, é reação típica da maioria absoluta dos treinadores mundo afora.

É de se perguntar novamente: Vaidade? Teimosia? idiotia? Ação defensiva ingênua e estéril? Tudo isso junto e misturado? Defender se trabalho, suas ideias é um direito o alienável de qualquer ser humano.

Permanecer no erro, seja por vaidade, seja por casmurrice, só leva à ruína, ao insucesso. Barba não está livre de reagir negativamente a esta ou àquela crítica. Também não está livre de cometer erros ou fazer más escolhas.

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Mas, acredito que ele tem tudo para levar o Atlético a brilhar mais ainda nesta reta final de temporada. Nao tenho duvida# de que o técnico alvinegro definitivamente tem uma grande característica mais que positiva. E explico:

Ainda que tenha encontrado um clube que pecou muito no trato do futebol e na gestão de grupo Eduardo Domingues, além de estar mostrando que nao lhe falta coragem para mudar, surpreender e apostar nos seus jogadores, ele é ótimo de vestiário.

É claro que tudo na vida tem princípio, meio e fim. E mais: a vida é feita de ciclos. No futebol brasileiro em particular os treinadores não têm vida fácil e geralmente não perduram muito tempo à frente de um time, seja ele qual for.

Já escrevi mais de uma vez e vale a pena repetir que nada na vida é retilíneo. Tudo é marcado por idas e vindas, avanços e recuos, oscilações, altos e baixos, bons e maus momentos. Assim como nas doenças do espírito e da mente, as recaídas são comuns no futebol. E os e as más escolhas erros também.

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Um dia Barba deixará o Galo. Faz parte. Espero e torço firmemente para que este dia ainda demore muito a chegar e que ele fique no Atlético por muito, muito tempo.

Espero e torço para que deixem o treinador atleticano fazer o seu trabalho, mesmo por que, mais do que nunca, o Atlético terá pela frente uma jornada pesadíssima e algumas armadilhas a superar.

A primeira delas é este calendário perverso. Ao final deste mês de outubro, por exemplo, o Galo já enfrentará uma semana extremamente cansativa e desgastante com jogos densos e muito pesados de três em três dias, intercalados com viagens.

No dia 26, uma segunda-feira, o Atlético enfrentará o Flamengo no Maracanã. Três dias depois, na quinta-feira, dia 29, pegará o rival azul na Arena MRV e, por fim, no domingo, dia 1.o de outubro, o duelo é contra o Grêmio em Porto Alegre pela partida de ida na semi-final da Copa do Brasil.

Essa sequência “suave” de jogos seria apenas uma mera coincidência? Ou um simples acaso? Azar? Afinal, se não for sofrido não é Atlético, não é mesmo? Ironia à parte, e tendo que é apenas mais um caminho indigesto a vida de um clube que historicamente falhou na defesa de seus interesses o jogo do bastidores.

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Como Barba já mostrou que sabe enfrentar e superar desafios, tenho confiança em sua capacidade de ver e driblar este tipo de armadilhas.

Se as escolhas feitas pelo clube nos últimos tempos inevitavelmente ainda se refletem de forma negativa no dia a dia do clube, as escolhas que forem feitas a partir de agora, com um mínimo de expertise e bom senso, só poderão trazer bons frutos.

Mas, para que isso aconteça, é preciso que, de um a lado a Massa continue abraçando e jogando junto com time jogo a pós jogo e que o clube, ciente dos cuidados necessários, fique de olhos e ouvidos bem abertos e com o Barba até o fim.

Ah! A retomada já é agora. A data FIFA para o Atlético já acabou. Hoje já tem Galo x Bragantino.

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