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PRETO NO BRANCO

DESCANSANDO E AFINANDO AS ESPORAS

Max Pereira
Max Pereira
Publicado em 25 set 2026 · 5 min de leitura

Confesso que nunca tinha visto e vivido uma data FIFA tão abençoada e tão bem vinda. Claro que existem opiniões contrárias. Também são muito bem vindas.

O diferente é salutar porque nos tira de zona de conforto, nos faz refletir, alimenta o nosso aprendizado e nos faz perceber que a realidade é muito mais complexa e ampla do que o nosso recorte pessoal e particular nos possibilita ver.

Nunca é demais relembrar a não distante temporada de 2024 quando os jogadores atleticanos chegaram às finais da Libertadores e da Copa do Brasil totalmente sem pernas, fisicamente arrebentados e moral, mental e emocionalmente arrasados e, em consequência, o Atlético foi facilmente derrotado pelos adversários, respectivamente, Botafogo e Flamengo.

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Nesse inegavelmente conturbado ano de 2026, o Atlético viveu momentos muito turbulentos e colecionou problemas que até hoje se refletem negativamente no desempenho do time alvinegro, independentemente do 11 escalado.

Sempre faço uma comparação do que acontece com o grupo atleticano  com aquilo  que ocorre com o corpo humano quando adoece, seja física, seja emocional, seja mentalmente.

A possibilidade de ocorrer recaídas, lesões e enfermidades recidivas, também acontece com elencos adoecidos física, emocional e mentalmente.

Se, como tem ocorrido com frequência preocupante nos últimos tempos,  o clube pecar na gestão de vestiário e de grupo e no trato do futebol, o adoecimento físico, mental, emocional e moral do grupo é inevitável e, certamente, vai atingir níveis mais que preocupantes e graves.

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E é exatamente o que vem ocorrendo com o Atlético depois do mágico ano de 2021 e que na atual temporada se agudizou de forma expressiva e inquietante.

Mais que nos últimos anos, o elenco atleticano, muito mal planejado, apresenta na atual temporada desequilíbrios bastante sérios.

A montagem de um grupo de jogadores deve considerar a diversidade de características físico-atléticas e tático-funcionais e de perfis de liderança e de postura que devem estar à disposição de qualquer treinador para que um time possa em campo render e competir com um nível minimamente aceitável.

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As carências do elenco alvinegro nesses quesitos são flagrantes. Não, com isso não quero dizer que o grupo do Atlético é composto por brucutus. Falo de deficiências. De ausência de perfis e de características.

Não à toa, a utilização de jogadores fora de sua zona de conforto e na execução de funções fora de suas características tem provocado um desgaste adicional.

Não sem razão, à exceção talvez do mais otimista do galistas, ninguém mais acreditava que o Galo teria vida longa nas Copas do Brasil e Sul-americana e que, tampouco, deixaria de mergulhar na zona de rebaixamento, candidatando-se ferrenhamente a cair para a série B.

A chegada de Eduardo Domingues, o Barba, produziu uma transformação, antes inimaginável, surpreendente e maravilhosa para o mundo atleticano.

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Fechados com o treinador argentino e, sem exagero algum, apaixonados por ele, os jogadores atleticanos foram recuperando a confiança, a alegria de jogar e de estarem juntos, a inspiração e a intensidade e o senso coletivos.

Tornou-se comum ler e ouvir, aqui e ali, que o Barba vem tirando leite de pedra. E não há como não entender e não concordar com isso.

A melhor campanha pós-Copa entre os clubes brasileiros, a invencibilidade de 14 jogos, a maior sequência de um clube brasileiro na temporada, a vitória por 2 x 1 sobre o poderoso Palmeiras nos domínios do adversário, as vitórias autoritárias sobre Grêmio e Fluminense, a bela exibição dos reservas diante do Vitória e as eliminações do rival azul e do Santos com duas viradas épicas e históricas, ainda que entremeadas por duas derrotas fora de casa, chatas e preocupantes, mas compreensíveis, diante do Peixe e do tricolor paulista e um empate doído e irritante diante de Chapecoense na Arena MRV, não deixam dúvidas sobre uma significativa evolução do time atleticano, independentemente do 11 que estiver em campo.

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Mas, também, deixou claro que alguns problemas remanescem e que, em decorrência deles, particularmente, do mau planejamento do elenco, o grupo atleticano está tremendamente desgastado física e mentalmente.

Portanto, esta parada FIFA deve se comemorada e, claro, muito bem aproveitada pelo clube. Nao, não há como exigir e nem esperar que todos os problemas desapareçam durante a data FIFA.

A heterogeneidade do grupo não se restringe tão somente às origens, à etnia, às características físico-atléticas e tático-funcionais, idades, religião, nível cultural, etc., do jogadores.

Com jogadores lesionados, outros em transição, seja do DM para as atividades normais, seja da base para o profissional, com 6 atletas à disposição de seleções, com alguns outros pouco utilizados e dois outros ainda em fase de adaptação, é fácil intuir que o elenco atleticano também é demarcado por diferenças de condicionamento físico, desgaste, ritmo de jogo e confiança que nao podem ser desprezadas.

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E se nos lembrarmos que alguns jogadores, excessivamente cobrados e xingados pela torcida, têm razões de sobra para se sentirem inseguros, percebe-se que a tarefa do Barba, dos demais profissionais que trabalham direta ou indiretamente no futebol e do comando central não é fácil.

Ao contrario, é de uma complexidade que exige expertise, trabalho e muitos cuidados tanto em relação o interiores do clube, quanto em relação ao jogo dos bastidores, e aos recorrentes circos midiáticos e ataques dos inimigos.

Portanto, a hora é de descansar e de afinar as esporas.

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