A vitória diante do Fluminense pela 27a. rodada do Brasileirão, no momento e na forma em que ocorreu, foi, por várias razões, extremamente interessante e importante para o Atletico.
Primeiro, porque somou três pontos no Brasileirão, mantendo-se em uma posição confortável e permitindo-se sonhar com algo algo bem maior.
Segundo, porque a atuação do time atleticano, particularmente na etapa complementar, mostrou que os jogadores alvinegros conseguiram, não só virar a chave com eficiência, como também reacender aquele pique que os levaram manter 14 jogos de invencibilidade, o melhor de empenho pós Copa entre o clubes brasileiros.
Terceiro, porque uma nova atuação ruim e mais uma derrota, a terceira consecutiva e, desta vez em casa, certamente se refletiriam de forma extremamente nociva no jogo de volta contra o Santos pelas quartas de final da Copa Sul-americana.
E quarto e último, porque Barba mostrou que, de fato, tem o,grupo na mão e que, ao contrário do que muitos disseram e acreditaram, aquele Atlético destruído emocional, mental e moralmente de algum tempo atrás, é mesmo coisa do passado.
O tricolor carioca até que começou a partida fazendo um jogo propositivo e chegou a ameaçar o gol de Gabriel Delfim que mostrou amadurecimento e evolução. O Atlético até que buscou responder, mas o 0 x0 refletiu bem o que foram os primeiros 45 minutos.
Ficou claro que o time levou uma sacudida no intervalo e voltou para o jogo mais confiante, intenso, aceso e inflamando a Massa que não negou fogo. A marcação alta, a intensidade coletiva e a postura individual dos jogadores atleticanos deram o tom do jogo e os gols alvinegros foram saindo normalmente.
Existe um provérbio antigo que se aplica a este jogo: pau que dá em Chico, dá em Francisco. Nas derrotas diante do tricolor paulista e do time de Vila Belmiro, o Atlético viveu dois minutos de apagão nos quais o adversários marcaram seus gols e construíram suas vitórias por 2 x 0.
Diante do Fluminense, entretanto, o Galo devolveu a pancada com juros e correção monetária. Além de fazer dois gols em dois minutos com Reinier e com Cuello, viu Vitão fazer o terceiro, o primeiro gol do jovem talento pelo time principal, mostrando que está surgindo mais um zagueiro artilheiro na história do Atlético.
Falei acima em evolução do jovem goleiro atleticano e essa é a palavra de ordem que define o elenco e o futebol alvinegros. Os dois tropeços diante do São Paulo e do Santos, doídos e preocupantes é verdade, não significam nem terra arrasada e, tampouco, que tudo está perdido par o Atlético na Sul-americana.
Claro, também, que nem tudo está ganho. Já disse e repito que a missão do Galo nesta reta final de temporada é encher o papo de grão em grão, de jogo a jogo. E, para que isto aconteça é preciso fazer por onde.
Um princípio basilar da Física e da vida é causa e efeito. Claro que o jogo é jogado e tudo pode acontecer. Nele se misturam trabalho, tática, vestiário, condicionamento físico, sorte, erros, acertos, talento individual, insights e energia. E óbvio, tudo temperado pelo emocional e pelo mental.
Trabalho, foco, ambiente saudável e cuidados dentro e fora do campo, antes, durante e depois de cada jogo é missão irrenunciável de quem quer conquistar alguma coisa no futebol..
Nas quartas de final da Copa do Brasil quando o Galo, esbanjando autoridade, futebol, organização e alma, em absoluta comunhão com a Massa, eliminou o rival azul, o Atlético deu uma mostra categórica para o atleticano de que vaie a pena acreditar e sonhar e para os adversários e inimigos que respeito e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
O futebol de hoje tem mostrado algo que não pode ser desprezado: os jogos nunca são iguais e cada vez mais o favoritismo não é coisa líquida e certa.
Não custa lembrar que, além de nenhum time estar voando, a irregularidade, a forte pressão e a cobrança pesada, ainda que em graus variados, têm sido a tônica da temporada de todos os clubes brasileiros sem exceção.
Por outro lado, se o jogo contra o Fluminense teve o seu lado positivo, também não nos fez esquecer que existe um fantasma assombrando o Glorioso das Gerais: o enorme desgaste físico e mental dos atletas atleticanos.
A notícia da lesão do meia Victor Hugo, pubalgia, que o impediu de ser relacionado para o jogo teve o efeito de um soco no estômago. Mais uma baixa por tempo indeterminado e um problema a mais para o Barba e, por certo, um novo desafio para o treinador driblar os flagrantes desequilíbrios do elenco Atlético.
Para espanar qualquer dúvida sobre o quão é delicado e preocupante esse indisfarçável esgotamento físico dos atletas alvinegros, lembro que pubalgia é uma síndrome caracterizada por dor na região do púbis (parte anterior da bacia), que pode se irradiar para a virilha, o abdômen inferior e a parte interna das coxas, resultante de sobrecarga e esforço repetitivo comum em atletas de esportes que exigem mudanças rápidas de direção, chutes e giros intensos como o futebol.
Não raro, a pubalgia pode requerer tratamento cirúrgico, o que deixaria o jogador de fora do restante da atual temporada. E aqui, vale lembrar que Victor Hugo não é o primeiro caso de pubalgia no Atlético nesta temporada. Tomáz Pérez também está afastado pelo mesmo problema.
Menos mal a lesão de Cuello. Um a pancada sempre dói, mas geralmente não gera grandes preocupações. Bom, pelo menos é o que o coração atleticano espera.
Barba e sua comissão técnica têm a missão de lidar com esses problemas e supera-los, poupando quando necessário, rodando o time com expertise e escalando o melhor 11 possível jogo a jogo,
Clube, dirigentes e demais profissionais ligados ou não diretamente ao futebol, também têm um papel de transcendental importância: preservar um bom ambiente.
E o primeiro passo para isso é blindar o elenco contra novos circos midiáticos, contra os velhos e recorrentes ataques dos inimigos e contra as jogadas hostis de bastidores.
E o papel de Massa nisso tudo? Se imunizar contra o zunzum perverso, transformar a Arena em um caldeirão e incendia-lo, repisando tudo aquilo que feito contra o rival azul.
Já escrevi mais de um a vez e não custa repetir que o Atlético não é apenas um clube ou um time de futebol. É uma entidade cuja essência é um sentimento impar, misto de identificação e pertencimento. Clube, time e torcida, juntos e misturados. compõem um todo inquebrantável.
Nestes dias que antecedem o jogo de volta contra o time peixeiro todo cuidado é pouco. Clube e torcida, vigilantes e pró-ativos contra tudo e contra todos.
Onde vc estava em 2014 quando o Galo protagonizou duas viradas épicas contra o Corinthians e o Flamengo pela Copa do Brasil daquele ano? E em 2021 quando o Galo em 5 (cinco) minutos atropelou o Bahia e, de virada, fez 3 x 2, placar que lhe garantiu o título do Brasileirão daquela temporada?
Diante do Fluminense o Galo afinou o bico e, contra o Peixe, a Massa certamente estará presente na Arena fazendo e celebra do um a grande pescaria.

