A temporada se afunila e um erro pode colocar tudo a perder. Nesse vira virou infernal, o adversário agora é o Santos e o objetivo é chegar à semi-final sul-americana.
Dia após dia pressão e o desgaste, seja físico, seja mental crescem perigosamente para todos os clubes sem exceção.
Ninguém está voando no atual futebol brasileiro e, em graus relativamente variados, todos se ressentem de cobranças em relação à busca de um título, a uma partida ruim, a um resultado negativo, a uma eliminação em uma Copa, à busca de uma vaga para uma competição internacional na próxima temporada ou ao fantasma do rebaixamento.
O elenco atleticano, particularmente, muito machucado por diversos problemas chegou a viver nesta temporada um violento inferno astral, cujos reflexos ainda se fazem presentes.
Para muitos, e eu me incluo entre estes, o Atlético corria sérios riscos de rebaixamento e não teria vida longa em nenhuma das Copas em disputa.
Com a chegada do Barba Domingues tudo mudou. O técnico argentino conseguiu realizar aquilo que parecia impossível aos muitos até do mais apaixonado dos Galistas.
O amadurecimento mental e a restauração do equilíbrio emocional do grupo atleticano e, a consequente evolução do onze escalado, independentemente da formação que for a campo, não escapam até ao mais incauto dos observadores.
E o Atlético, de forma estóica e resiliente, não só passou a ocupar uma posição relativamente confortável na tabela de classificação do Brasileirão, se afastando do fantasma da degola, mas, também, vem conseguindo se manter vivo nas duas Copas, deixando acesa no imaginário de seus torcedores a esperança de títulos.
Mas, como cada confronto tem a sua história e não existe um jogo igual ao outro, não existe nada ganho e nem perdido. Só se pode ter certeza de uma coisa: jogo após jogo o desgaste aumenta, a pressão se multiplica e um erro pode colocar tudo a perder.
Não bastasse a cobrança dos torcedores, quase sempre cruéis e muito pesadas, os jogadores, em graus diferenciados e por razões que também variam, também são pressionados pelo treinador, pelos dirigentes, pelos seus empresários, pelos familiares e, claro, por si mesmos.
Se de uma lado, as lesões físicas acontecem cada vez mais, de outro, o desgaste mental e os desequilíbrios emocionais vão se tornando mais frequentes e intensos à medida em que as competições avançam.
Não sem razão, o alto número de baixas no DM atleticano nos últimos tempos. E aqui uma curiosidade: à exceção de Everson, todas as outras lesões ou são musculares ou estão ligadas ao piso da Arena. É sabido e ressabido que os gramados sintéticos exigem cuidados especiais.
A notícia de que quatro 4 (quatro) atletas já voltaram a treinar normalmente não indica, contudo, que serão titulares contra o Peixe neste primeiro jogo pela quartas de final da Sul-americana.
É que lhes falta ritmo e, portanto, submetê-los a uma carga plena pode acarretar novas lesões ou o reaparecimento da contusão recém curada, a chamada lesão recidiva.
Mas, se o lado físico, mental e emocional preocupam, outras questões insistem em tumultuar o dia a dia do clube. E, se lembrarmos dos conhecidos e fartamente discutidos desequilíbrios do elenco atleticano, um cuidado se faz mais que necessário, senão vital para as pretensões do Galo nas duas Copas.
Infelizmente, se tornou comum sempre que o Atlético tem pela frente decisões e jogos importantes, o pipocar nas redes sociais e, também, por meio de vários segmentos da mídia tradicional, de um noticiário panfletário, midiático, quase sempre tendencioso e extremamente desestabilizador.
Saídas e chegadas explosivas são um dos pratos suculentos ofertados por esta claque que se alimenta desse Galo convulsivo e efervescente dono do coração de milhões de apaixonados.
Saídas quase sempre sem critério e sem razões justificáveis e verossímeis e chegadas bombásticas que ou não se realizam por serem ficção ou se frustram por terem sido porcamente vazadas.
Não à toa, um dos maiores problemas do clube são exatamente o péssimo planejamento e o mau trato do futebol e, em consequência, a recorrente deficiência na montagem dos elencos atleticanos ao longo dos tempos, notadamente nos últimos anos.
E aqui, tocamos em um dos calcanhares de Aquiles mais sensíveis do clube: estruturação mais que deficiente de seus elencos.
Se o objetivo institucional e central do Atletico como clube de futebol é o resultado esportivo, ou seja, vitórias e títulos, planejar-se para alcançá-los e fazer e ver a sua Massa festejar e gritar “É CAMPÃO!”, é o mínimo que se exige e se espera de seus dirigentes.
O torcedor atleticano tem razões de sobra para se sobressaltar com as especulações sobre uma possível saída de Cuello neste momento. “Ah! Mas as propostas feitas ao clube e ao jogador são irrecusáveis!”.
E como ficam os objetivos do clube nesta temporada? Se o atacante argentino deixar o clube agora sem nenhuma possibilidade de reposição, o sonho de ver o Galo campeão da Copa do Brasil e da Sul-americana virará um pesadelo terrível.
É compreensível que o jogador e seu staff estejam balançados e que o próprio clube esteja sacudido. Mas, cabe aos dirigentes tratarem esta investida em seu jogador com diligência, parcimônia, cuidado e foco nesta reta final de temporada.
Se de todo for absolutamente impossível fazer uma reposição à altura, que se converse com o atleta, com os seus representantes e com o clube interessado, objetivando concretizar o negócio na próxima janela.
E mais: que se dê ao jogador um reajuste nestes últimos meses para compensa-lo. Não seria um gasto, uma despesa. Seria um investimento.
Conquistando as duas Copas o Galo receberia, além dos troféus, uma premiação financeira que certamente o faria encerrar a temporada com lucro, superavitário, como aconteceu em 2021.
Sem planejamento e sem cuidados não se ganha nada.

