A contratação de Kevin Castaño pelo Atlético vai além da chegada de mais uma opção para o meio-campo. Aos 25 anos, o colombiano apresenta características que ajudam a explicar por que o Galo foi ao mercado atrás de um primeiro volante e, principalmente, o que ele pode oferecer de diferente em relação a Alan Franco, Maycon e Tomás Pérez.
O Atlético acertou a chegada de Castaño por empréstimo junto ao River Plate. O jogador chega para um setor considerado carente no elenco alvinegro e com histórico recente também pela seleção colombiana.
Para fazer a comparação, o Canal Bica Galo analisou dados disponíveis em plataformas estatísticas como FotMob, SofaScore e FootyStats, dando prioridade ao desempenho recente de Castaño e às métricas normalizadas ou relativas a outros jogadores da mesma posição.
Há um cuidado importante: utilizar exclusivamente a temporada 2026 seria injusto com o colombiano. Castaño disputou apenas 92 minutos na Liga Argentina neste ano. Por isso, a análise considera seu perfil recente e, principalmente, sua amostra mais consistente pelo River Plate em 2025.
O dado que mais chama atenção em Castaño
O gráfico de características do FotMob compara cada jogador com outros meio-campistas. E é justamente aí que aparece uma diferença importante.
| Característica — percentil FotMob | Kevin Castaño | Alan Franco | Maycon | Tomás Pérez |
|---|---|---|---|---|
| Toques na bola | 93 | 38 | 60 | 43 |
| Chances criadas | 73 | 21 | 38 | 2 |
| Ações defensivas | 75 | 64 | 27 | 79 |
| Duelos aéreos vencidos | 58 | 48 | 14 | 74 |
Os números são percentis: estar no percentil 93 em toques, por exemplo, significa que Castaño apresenta índice superior ao de aproximadamente 93% dos meio-campistas considerados pelo modelo do FotMob nessa característica.
É provavelmente a melhor maneira de entender por que Castaño não chega simplesmente para ser “mais um volante”.
O colombiano aparece ao mesmo tempo muito alto em participação com bola (93), criação (73) e contribuição defensiva (75).
Nenhum dos três volantes analisados do Atlético apresenta atualmente essa mesma combinação.
Castaño quer a bola
O percentil 93 em toques é talvez o número mais revelador de todos.
Castaño é um meio-campista que participa intensamente da construção. Ele não é apenas o volante encarregado de recuperar a bola e entregá-la ao jogador mais próximo.
Sua tendência é se apresentar para receber dos zagueiros, participar da primeira fase de construção, circular a posse e ajudar a equipe a avançar pelo campo.
É uma diferença expressiva para Alan Franco, que aparece no percentil 38 em toques, e Tomás Pérez, no 43. Mesmo Maycon, tecnicamente mais participativo na construção do Atlético, aparece no percentil 60.
Isso não significa automaticamente que Castaño seja “melhor”. Significa que ele possui um perfil diferente.
E ele não é apenas um volante de posse
Outro ponto que chama atenção é que a participação com bola não vem acompanhada de baixa intensidade defensiva.
Castaño aparece no percentil 75 em ações defensivas.
Tomás Pérez é quem apresenta o maior índice entre os quatro, com 79. Alan Franco aparece em 64. Já Maycon, mais associado à construção, aparece em apenas 27.
E existe outro dado interessante da passagem pelo River.
Na Liga Argentina de 2025, Castaño registrou 44 desarmes, média de aproximadamente 2,4 por 90 minutos, ficando entre os jogadores do River com maior produção nesse fundamento.
Para efeito de comparação, utilizando os números do Brasileirão de 2026 do FotMob:
- Alan Franco registra aproximadamente 1,42 desarme por 90 minutos;
- Tomás Pérez, aproximadamente 1,48;
- Maycon, aproximadamente 0,96.
Os cálculos utilizam os totais de desarmes e minutos registrados pelo FotMob no Brasileirão de 2026. Franco soma 22 desarmes em 1.394 minutos; Pérez, 13 em 788; e Maycon, 11 em 1.035.
As competições e contextos são diferentes e, portanto, o dado não deve ser interpretado como um ranking absoluto. Mas ajuda a identificar a característica do colombiano.
Castaño também participa mais da criação
Talvez esteja aqui uma das maiores diferenças em relação a um primeiro volante tradicional.
Castaño está no percentil 73 em chances criadas.
Maycon, provavelmente o volante do Atlético mais próximo de um perfil construtor, aparece em 38. Alan Franco tem 21 e Tomás Pérez apenas 2.
Na Liga Argentina de 2025, Castaño acumulou 1,4 de assistências esperadas (xA) e uma assistência pelo River. Sua nota média no FotMob naquela competição foi 7,01, ficando entre os dez jogadores mais bem avaliados do elenco.
Não estamos falando de um meia de criação ou de um jogador que chegará à área constantemente.
A diferença está na capacidade de fazer a bola chegar ao setor seguinte.
Como são os volantes que o Galo já possui?
Alan Franco: equilíbrio
Alan Franco continua sendo o jogador de maior equilíbrio entre os volantes atuais.
No Brasileirão, tem 88,2% de acerto nos passes, 22 desarmes, 19 interceptações e 36 recuperações. Seu perfil no FotMob mostra contribuição defensiva no percentil 64.
Franco não participa da construção no mesmo volume de Castaño, mas oferece leitura tática, cobertura e capacidade de ocupar diferentes funções no meio-campo.
Por isso, a chegada do colombiano não necessariamente transforma Franco em seu concorrente direto.
Os dois podem jogar juntos.
Maycon: passe e chegada
Maycon oferece algo diferente.
É o jogador de características mais ofensivas entre os volantes analisados. No Brasileirão já marcou dois gols e seu perfil apresenta maior participação com bola do que Franco e Pérez.
Por outro lado, seu índice de ações defensivas está apenas no percentil 27.
Isso abre uma possibilidade interessante: Castaño como jogador responsável pelo início da construção e recuperação, liberando Maycon para atuar alguns metros à frente.
Tomás Pérez: força defensiva
Tomás Pérez é praticamente o extremo oposto.
O argentino aparece no percentil 79 em ações defensivas e 74 em duelos aéreos, os melhores números do grupo nesses dois indicadores. Em 788 minutos no Brasileirão, possui 13 desarmes, 13 interceptações e 30 recuperações.
Mas aparece apenas no percentil 2 em chances criadas.
Pérez oferece maior proteção. Castaño tende a oferecer proteção + construção.
Então, o que Castaño acrescenta ao Galo?
Se fosse necessário resumir os quatro jogadores em poucas palavras, seria possível desenhar o meio-campo desta maneira:
Tomás Pérez → combate e proteção
Alan Franco → equilíbrio e leitura tática
Maycon → construção e chegada
Kevin Castaño → controle, circulação e recuperação
E é justamente o último perfil que parece menos presente no elenco atual.
O grande diferencial de Castaño não aparece em gols ou assistências. A carreira do colombiano, inclusive, mostra produção ofensiva direta bastante pequena. No River, passou 2025 sem marcar gols.
Seu valor está em outra parte do jogo.
Castaño é um jogador que toca muito na bola, participa da saída, dá continuidade às posses, consegue produzir passes que avançam o jogo e ainda apresenta volume defensivo significativo.
Esse conjunto é mais importante do que simplesmente classificá-lo como “primeiro volante”.
Castaño + Franco pode ser uma combinação importante
A leitura dos números também coloca em dúvida uma interpretação comum: a de que Castaño chegaria necessariamente para retirar Alan Franco do time.
Os perfis podem ser complementares.
Com Franco ao lado, Castaño poderia assumir maior responsabilidade na organização da saída de bola.
Com Maycon, poderia oferecer a proteção necessária para permitir ao brasileiro avançar.
Com Pérez, o Atlético teria uma dupla mais física e defensiva, mas ainda com Castaño assumindo a principal responsabilidade pela circulação.
Isso amplia as possibilidades do treinador.
O resumo dos números
| Fundamento | Destaque |
| Participação com bola | 🥇 Castaño |
| Criação entre os volantes | 🥇 Castaño |
| Ações defensivas | 🥇 Pérez / 🥈 Castaño |
| Jogo aéreo | 🥇 Pérez |
| Equilíbrio | 🥇 Franco |
| Presença ofensiva | 🥇 Maycon |
| Combinação defesa + construção | 🥇 Castaño |
É justamente na última linha que está o argumento mais forte para a contratação.
Kevin Castaño não chega ao Atlético apenas para aumentar o número de volantes do elenco. Os números indicam a contratação de um meio-campista com características que o Galo hoje possui apenas de maneira fragmentada em jogadores diferentes.
Pérez entrega defesa. Maycon oferece construção. Franco entrega equilíbrio.
Castaño tenta reunir parte dos três mundos.
Essa talvez seja a principal razão para o Atlético apostar no colombiano.
Metodologia: o recorte de Castaño considera seu perfil estatístico recente e dá peso à amostra relevante de 2025 pelo River Plate, em vez dos apenas 92 minutos disputados na Liga Argentina de 2026. Para os jogadores do Atlético, foram utilizados prioritariamente dados do Brasileirão de 2026. Comparações de competições diferentes servem para identificar perfil e características, e não para estabelecer um ranking absoluto de qualidade. Fontes consultadas: FotMob, SofaScore, FootyStats e FBref.
Como ler os números
Percentil: posição do jogador em relação a outros da mesma posição. Ex.: percentil 93 = desempenho superior a 93% dos meio-campistas analisados.
Participação: quanto o jogador se envolve com a bola e na construção das jogadas.
Criação: capacidade de gerar oportunidades para os companheiros.
Ações defensivas: soma da participação em desarmes, interceptações, bloqueios e recuperação da posse.
Por 90 min: padroniza os números para comparar jogadores com diferentes minutos em campo.

