O Atlético Mineiro divulgou esta semana seu Relatório de Gestão 2024, e os números chamam atenção não apenas pelos recordes de arrecadação, mas também por sinais claros de alerta financeiro. Mesmo com faturamento histórico, a primeira temporada completa da S.A.F. termina com prejuízo e endividamento elevado, num cenário que exige cautela e cobrança.
Receita histórica, prejuízo real
O clube atingiu a maior receita bruta de sua história: R$ 674 milhões em 2024, crescimento de 46% em relação a 2023. A Arena MRV teve papel importante nesse resultado, gerando R$ 108 milhões com bilheteria, sócio-torcedor, alimentos, bebidas, estacionamento e outras receitas de matchday.
Apesar disso, o clube fechou o ano com prejuízo ajustado de R$ 46 milhões, resultado principalmente do alto custo da dívida financeira, que consumiu R$ 219 milhões em despesas com juros e encargos. A SAF conseguiu apresentar, pela primeira vez em cinco anos, um resultado operacional positivo de R$ 2 milhões, mas esse superavit não foi suficiente para equilibrar as contas.

Gasto altíssimo no futebol
O investimento total no departamento de futebol chegou a R$ 623 milhões em 2024, maior valor da história do clube. Só com folha salarial foram R$ 291 milhões, incluindo salários, direitos de imagem, premiações e encargos. Também foram gastos R$ 218 milhões em contratações, o que reforça a aposta da gestão em manter um elenco competitivo.
Mesmo com tanto investimento, o desempenho esportivo não acompanhou: o Galo foi campeão mineiro, mas terminou o Brasileirão em 12º lugar, garantindo vaga apenas na Sul-Americana. Também foi vice-campeão da Copa do Brasil e da Libertadores, o que ajudou a impulsionar as receitas de premiação.
Dívida alta continua sendo realidade
A dívida líquida do clube voltou a subir e fechou o ano em R$ 1,369 bilhão. A gestão destaca a redução na relação dívida/receita (de 2,5 para 2,0), mas os números absolutos mostram que o problema estrutural do endividamento ainda está longe de ser resolvido.
O clube também aumentou seus empréstimos bancários para R$ 507 milhões, e mantém R$ 446 milhões em dívidas relacionadas à Arena MRV. Segundo o relatório, houve renegociação das taxas de juros, reduzindo a média de CDI +8% para CDI +4%, mas o custo financeiro ainda é um dos principais vilões do balanço.
Arena MRV: símbolo e desafio
A nova casa do Galo foi, ao mesmo tempo, motor de receita e foco de endividamento. A Arena MRV, avaliada em R$ 1,3 bilhão, gerou média de R$ 2,6 milhões por jogo em 2024, com margem líquida de até 70%. O estádio recebeu 34.781 torcedores por jogo, com taxa de ocupação média de 77%.
Mesmo sendo uma fonte relevante de receita, a operação da arena ainda exige ajustes e não elimina os riscos de pressão financeira no médio prazo.

Torcida presente, mas expectativa crescente
O programa de sócio-torcedor Galo na Veia atingiu 113 mil sócios, o segundo maior do Brasil. Nas redes sociais, o clube ultrapassou 11,8 milhões de seguidores e liderou índices de engajamento em vários momentos da temporada. Mas a dúvida que fica é: a paixão da torcida será suficiente para sustentar um modelo que segue operando no limite?
Um 2024 de contrastes
Com o maior faturamento da história, o Atlético também teve seu maior gasto. A promessa de equilíbrio e sustentabilidade, pilar da SAF, ainda não se concretizou. A conta segue pesada, e a necessidade de vender jogadores para manter as finanças em ordem continua presente.
O Galo fatura como gigante, gasta como gigante, mas ainda luta para fechar as contas. A S.A.F. trouxe estrutura, mas ainda não trouxe estabilidade. A Massa segue atenta.
